Ausência.
De ânimo. De tempo. Do outro.
Ausência.
De sentimento. De estranhamento. De ciúme.
Ausência.
De decepção. De paixão. De perda de controle.
Ausência... Estou ausente.
terça-feira, abril 19, 2005
quarta-feira, abril 13, 2005
TPM de apaixonada
É fiel. Será? Seria? Não importa. Importa sim. Sabe o quê? Cansei. Não amo mais. É carinhoso. Um dia. Quase sempre. É mesmo? Não é. Ainda estou carente. Tô fora. Nada disso. Isso. Fui. É lindo. Estão olhando? Quem é aquela? Saiu com ela? Não quero saber. Ou quero? Conta, vai. É mentira. Vou embora. É músico. Podia ser coisa melhor. Sociólogo, quem sabe. Papo-cabeça é afrodisíaco? Está mais pra fonte de mal-entendidos. Sério? Não. Me arrepio toda com citações de Foucault. Se bem que não tem nada melhor que Los Hermanos cantarolado ao pé da orelha...
domingo, abril 10, 2005
Próxima atração na HBO: Melina Tpêmica
Era cansada, cansei, cansaço. Mas mais poderia ser, chorosa, chorei, choro. Passei o dia inteiro chorando. Sim eu sou uma mulherzinha. Pior! Mulherzinha em crise de TPM aguda. Meu cabelo estava oleoso, buá. Fui no médico e não tinha nada de errado com as minhas amídalas, buá buá. Também chorei porque o Bruce Willis resgatava refugiados africanos e metade dos seus homens morria na missão. "Não deixe que a minha morte seja em vão! Salve os refugi-cof cof-ados" e plof, morria. E eu chorava. Daí em outro filme era a vez de uma velhinha ir pro beleléu. Choradeira. Tá, vou mudar de canal. O príncipe Charles e a Camilla se casaram, ou como dizia na cobertura da TV espanhola, Carlos e Camila. Snif, snif. Coitados! Tiveram que esperar tanto tempo. O que? 35 anos? Mas também, com esse penacho horrível na cabeça... E lá eu com a Camila e o Carlos? Ah não! Agora foi o irmão do marido da velhinha que morreeeeeeu! Melhor assistir o DVD que eu peguei, Antes do Pôr do Sol. Não que eu esperasse que fosse muito feliz, talvez quisesse, inconscientemente chorar mais. E chorei. Muito mais. Primeiro porque o Jesse e a Celine se reencontraram depois de 9 anos. Depois porque ela chorou. De repente estava chorando e nem sabia mais o motivo, chorava por chorar. Talvez o choro fosse pelo fato de que eu me sentia mau amada. Sozinha. Talvez fosse pelo fato de que eu provavelmente nunca seria “aquela que escapou” de ninguém. Nem nunca ficaria casada por 57 anos. Nunca seria a pessoa mais importante na vida de ninguém. Seria uma daquelas velhas loucas, solteiras, que nunca casou e que agora vive somente na companhia de 62 gatos. Claro que esqueci que odeio gatos, ainda mais 62. E claro que era melodrama, daqueles bem baratos.
"The concept is absurd. The idea that we can only be complete with another person is evil! Right?" (Celine, em Antes do Pôr do Sol)
"O conceito é absurdo. A idéia de que somente podemos ser completos com outra pessoa é má. Certo?"
"The concept is absurd. The idea that we can only be complete with another person is evil! Right?" (Celine, em Antes do Pôr do Sol)
"O conceito é absurdo. A idéia de que somente podemos ser completos com outra pessoa é má. Certo?"
quarta-feira, abril 06, 2005
Untitled
Cansada. Cansei. Cansaço. Não sei do quê, de quem, nem perguntarei por que. Cansei de querer o que não sei. Cansei. Cansei de escrever coisas estúpidas. Cansei de esperar por ti, que nunca vem, mais ainda cansei de não esperar por ti para ver se você vem. E você não vem. Você nunca vem. E eu aqui, não te esperando. Tentando levar a minha vida. Tentado ouvir palavras vazias. Tentando me enganar. E nada de você ainda. Nada. Muito se diz sobre auto-suficiência, porra. E quando você chegar? Quando você chegar te deixarei escapar. Não saberei que você era quem eu esperava. Estarei cega de tanta espera. Espera. Espera. Ops! Não-espera. Não-espera. Afinal, não estou esperando por você. Quem sabe assim você vem. Nunca ninguém espera, não é isso que dizem por aí? Não-espera. Não-espera. Não-espera. E cansaço. Cansei. Cansada.
segunda-feira, abril 04, 2005
Da Dedicatória Que Já Deveria Ter Sido Escrita.
Sentimos falta de vocês dois. O ano virou, a vida engrenou, mas recuso-me a citar John Lennon quando este falou "the dream is over". No memóravel 2004, nossas quatro vidas se cruzaram. Celebramos muito por isto. Passamos momentos felizes, onde nos beijamos, abraçamos, dançamos e choramos. Alopramos.
Para o meu irmão caçula: sinto sua falta. Das suas elocubrações, dos seus medos, do seu equilíbrio, da sua serenidade. Sinto falta de discutirmos se Jean Valejan foi FDP ou não roubando a prataria. Sinto falta de começarmos a discutir o seu projeto de doutorado e terminarmos perguntando porque todos aqui falam "fábrica da Audi" e não "fábrica da VW" (A VW é dona da Audi). Sinto falta do tratado que nunca foi escrito, "Da ignorância como forma de legitimação". Ou "Da relação entre o pingue-pongue e a manutenção de um estado stalinista na República Popular de China".
Para a por ele venerada: sinto sua falta. O mundo desaba, mas você o olha do mesmo jeito, entediada. Para que desabar e mudar tanto, se no fundo os objetivos permanecem? Nunca mais plantamos bananeiras. Nunca mais teorizamos sobre o maldito curativo no cangote de Marcellus Wallace e a sua possível relação com a maleta que Julius e Vince foram tomar do Brett.
Eu e a Doutora continuamos levando nossas vidas, que apesar de muito trabalho, tentamos levar dentro da normalidade. Não a normalidade utópica e intensa do final do ano passado. Esperamos que as rotinas se acomodem, a vida acalme e tornemos a, todos juntos, celebrarmos. Não estamos tristes ou preocupados. O que são uns meses diante de toda a vida de companheirismo que nos espera? Mas não podemos negar que, enquanto isto, gostaríamos de vocês por perto.
Beijos nos dois.
PS: LETi, sei que quebrei a única regra do blog. Não foi intencional. Foi de coração e de momento.
Para o meu irmão caçula: sinto sua falta. Das suas elocubrações, dos seus medos, do seu equilíbrio, da sua serenidade. Sinto falta de discutirmos se Jean Valejan foi FDP ou não roubando a prataria. Sinto falta de começarmos a discutir o seu projeto de doutorado e terminarmos perguntando porque todos aqui falam "fábrica da Audi" e não "fábrica da VW" (A VW é dona da Audi). Sinto falta do tratado que nunca foi escrito, "Da ignorância como forma de legitimação". Ou "Da relação entre o pingue-pongue e a manutenção de um estado stalinista na República Popular de China".
Para a por ele venerada: sinto sua falta. O mundo desaba, mas você o olha do mesmo jeito, entediada. Para que desabar e mudar tanto, se no fundo os objetivos permanecem? Nunca mais plantamos bananeiras. Nunca mais teorizamos sobre o maldito curativo no cangote de Marcellus Wallace e a sua possível relação com a maleta que Julius e Vince foram tomar do Brett.
Eu e a Doutora continuamos levando nossas vidas, que apesar de muito trabalho, tentamos levar dentro da normalidade. Não a normalidade utópica e intensa do final do ano passado. Esperamos que as rotinas se acomodem, a vida acalme e tornemos a, todos juntos, celebrarmos. Não estamos tristes ou preocupados. O que são uns meses diante de toda a vida de companheirismo que nos espera? Mas não podemos negar que, enquanto isto, gostaríamos de vocês por perto.
Beijos nos dois.
PS: LETi, sei que quebrei a única regra do blog. Não foi intencional. Foi de coração e de momento.
quarta-feira, março 30, 2005
Sobre formigas e ácaros
O negócio começou cedo. De um lado a formiga, cansada e mau-humorada. De outro, o ácaro, feliz da vida a cantarolar. Ela vinha de semanas de tensão, muita dor-de-cotovelo, muitas palavras não-ditas (e malditas), muito rock’n’roll, muita bebida, muito descompromisso, enfim, perdida na vida. Mal sabia de sua condição de himenóptera. Uma total amnésia existencial. Foi quando deu de cara com o ácaro. Ele a chamou de formiga, emendando um glorioso 'bom dia'. Aquilo lhe parecia ultrajante. Como se atrevia o ácaro?? Ela logo o chamou de agente patológico, de aracnídeo mal-resolvido. Ele riu-se inteiro. Gostou dela. Ela, mesmo o achando insuportável, acabou por se render, depois de muitos esforços acarofílicos para combater aquela acarofobia toda, aos seus galanteios. Mas deixava bem claro: 'ele é apenas meu fuck buddy, ouviu?!'. O tempo passou. A formiga, encantada com a acarodomácia que produzia a acarofilia entre eles, em seu leito verdejante, passou a corar quando lhe perguntavam sobre o ácaro. Pois bem, meus caros, não há outra verdade, embora a formiga não queira admitir. Ela está mesmo apaixonada!!!
domingo, março 27, 2005
As mãos
Encontravam-se os dois ali, deitados, nus, de mãos dadas. Despertou, após um breve instante de inconsciência, para perceber que já não mais sentia a mão dele na sua. Não que ele tivesse ido embora, estava ali, onde esteve o tempo todo, com sua mão na dela. A sensação havia se tornado tão confortável, familiar, que era como se a mão dele fosse parte da sua. Sorriu e, como que comprovar para si mesma a sua certeza, espreguiçou os dedos, o que perturbou o sono da pessoa com a mão na sua. Alguém, ao vislumbrar tal cena, de certo diria "Quanta afinidade!", ao passo que ela de pronto responderia "Que nada". Agora não tinha mais certeza, a não ser que sua mão estava coberta por outra. - Que coisa! Nunca sabia ao certo, sempre andava sobre ovos. Não podia se recordar de uma única relação em que a natureza desta estivesse clara. "Tá bem, tá bem, uma ou outra ainda vai". Estava angustiada. Não sabia se fazia, queria ou poderia reverter o quadro, só pra não variar um pouco. Perguntava-se se um dia saberia.
quinta-feira, março 24, 2005
Da dedicatória que não foi escrita
É desconhecida posto que separada, isolada. Solitária, está para os olhos como representação do inatingível. Ilhota? Talvez. Mas o isolamento que ostenta é apenas aquele que reflete. Guarda o canto das sereias, que sonhamos. Guarda o calvário de Ulisses, que tememos. É distante o suficiente para abrigar tudo o que sonhamos e tememos. A Ilha Desconhecida.
Sobre o seu conteúdo parece ser impossível projetar uma forma. Repousa no horizonte, intimida e incita. Cobra uma viagem que oferece – sem garantias – a plenitude, impõe o risco e nos obriga a tratar com descaso o que até então foi fatalidade. O seu acesso dispõe de caminhos variados. Todos eles impõem escolhas e ignoram o acaso.
A sua procura já foi palco para as viagens mais fascinantes. Navegadores que, deixando o solo conhecido e seguro para trás, fizeram suas velas ao mar. Todos salgaram as águas com suas lágrimas. Todos transformaram o sonho em caminho, o caminho em vida e o simples existir em desejado eternizar.
Conheço pouco a respeito dos mares ou da arte da navegação. Sobre a Ilha Desconhecida, sei apenas aquilo que o meu desejo permite. Ainda assim, bati à porta de um rei e pedi uma embarcação. Sincero e firme, o meu desejo sustentou o pedido. A embarcação foi concedida. Comecei os preparativos para a viagem. Eis que ela se inicia. Sinto o calor de um sol opressivo e a brisa refrescante. Contemplo a escuridão da noite e a luz orientadora das estrelas. Ao meu lado, tenho a cumplicidade e a reciprocidade da pessoa que desejou a mesma viagem. Com ela, o caminho é constante aprendizado e a vida é pura dádiva.
Sobre o seu conteúdo parece ser impossível projetar uma forma. Repousa no horizonte, intimida e incita. Cobra uma viagem que oferece – sem garantias – a plenitude, impõe o risco e nos obriga a tratar com descaso o que até então foi fatalidade. O seu acesso dispõe de caminhos variados. Todos eles impõem escolhas e ignoram o acaso.
A sua procura já foi palco para as viagens mais fascinantes. Navegadores que, deixando o solo conhecido e seguro para trás, fizeram suas velas ao mar. Todos salgaram as águas com suas lágrimas. Todos transformaram o sonho em caminho, o caminho em vida e o simples existir em desejado eternizar.
Conheço pouco a respeito dos mares ou da arte da navegação. Sobre a Ilha Desconhecida, sei apenas aquilo que o meu desejo permite. Ainda assim, bati à porta de um rei e pedi uma embarcação. Sincero e firme, o meu desejo sustentou o pedido. A embarcação foi concedida. Comecei os preparativos para a viagem. Eis que ela se inicia. Sinto o calor de um sol opressivo e a brisa refrescante. Contemplo a escuridão da noite e a luz orientadora das estrelas. Ao meu lado, tenho a cumplicidade e a reciprocidade da pessoa que desejou a mesma viagem. Com ela, o caminho é constante aprendizado e a vida é pura dádiva.
terça-feira, março 22, 2005
Sobre Liberdade e Libertinagem.
Ziraldo é um famoso cartunista brasileiro. Ícone de uma geração, catequizada pelo Pasquim, entre uma truculência e outra dos generais de plantão da ditadura. De tanto apanhar do regime ceifador da liberdade, Ziraldo parou de falar de política e passou a falar de sexo. Ficou célebre uma entrevista sua, à revista Playboy em 1980, quando declarou que nunca, nunquinha, havia broxado. Um quarto de século depois, mais coroa ainda, ele mantém a afirmativa. Um fenômeno. Tal declaração ainda hoje frequenta as rodas de boteco dos amigos. Quando alguém conta uma vantagem muito grande, superfaturando os dados da colheita da noite anterior, recebe logo os apupos: "Vai lá, grande Ziraldo!!" Relendo a entrevista muito tempo depois (mulheres, era a edição que trazia a musa Denise Dumont, vale a pena guardar até hoje), há uma série de declarações profundas, que passaram despercebidas injustamente. A que mais me toca, ainda hoje, é a seguinte: "As mulheres estão saindo para o revide, na base do 'vou te comer também'. Pô, se tudo mundo partir pra base do simplesmente dar e comer, vai ser uma merda, onde fica o amor no meio disso tudo?"
Perspectiva histórica: era o verão de 1980. Topless. Geração Dourada no Rio. TV Mulher. Marta Suplicy. Simone e Ísis de Oliveira. Desbunde generalizado. Finalmente, aqui no Brasil, ecoavam os bons ventos da liberação sexual. Mulher, agora, não simplesmente dava, mas opinava e, porque não dizer, estava começando a comer também. Como anarquista e humanista, acho isso o máximo. Sem querer fazer média. Mas o grande Ziraldo, de pé (sem trocadilho), ainda braveja: "Porra, e o amor?"
Em todas as revoluções avançamos. Mas é um jogo, basicamente, de ganhos e perdas. Mulheres, vocês ganharam em uma década coisa que milênios não conseguiram lhes dar. Faltam coisas ainda. Mas o salto foi enorme. Nós, homens, ganhamos também. Relações mais igualitárias, onde o ônus financeiro e, principalmente, emocional, passa a ser um fardo dividido em duas costas. Mas perdemos algo. Hoje em dia, são vários os receios no início de uma relação. É um verdadeiro vale tudo emocional. Toma lá, dá cá. As pessoas, de ambos os lados, não mais se entregam. Dão a mão, mas já entram de sola na canela. Dão um beijo, mas à la Sharon Stone, com um picador de gelo na mão cerrada nas costas.
Utopia. Já pensou um mundo com todas estas conquistas, mas com espíritos desarmados? Já pensou que máximo, ser escolhido por uma mulher, ser conquistado e envolvido por ela, "sem medo de ser feliz"? Quem sabe não está na hora de passarmos para a próxima fase desta revolução? A do amor baseado na autoconfiança e confiança mútua?
Tenho vivido os últimos 3 meses e meio desta maneira. Não tenho do que me queixar.
Beijos a todas.
PS: Tore, na verdade, é _Ne_. Vou assinar com o nickname carinhosamente dado pela irmã de uma das donas deste espaço.
Perspectiva histórica: era o verão de 1980. Topless. Geração Dourada no Rio. TV Mulher. Marta Suplicy. Simone e Ísis de Oliveira. Desbunde generalizado. Finalmente, aqui no Brasil, ecoavam os bons ventos da liberação sexual. Mulher, agora, não simplesmente dava, mas opinava e, porque não dizer, estava começando a comer também. Como anarquista e humanista, acho isso o máximo. Sem querer fazer média. Mas o grande Ziraldo, de pé (sem trocadilho), ainda braveja: "Porra, e o amor?"
Em todas as revoluções avançamos. Mas é um jogo, basicamente, de ganhos e perdas. Mulheres, vocês ganharam em uma década coisa que milênios não conseguiram lhes dar. Faltam coisas ainda. Mas o salto foi enorme. Nós, homens, ganhamos também. Relações mais igualitárias, onde o ônus financeiro e, principalmente, emocional, passa a ser um fardo dividido em duas costas. Mas perdemos algo. Hoje em dia, são vários os receios no início de uma relação. É um verdadeiro vale tudo emocional. Toma lá, dá cá. As pessoas, de ambos os lados, não mais se entregam. Dão a mão, mas já entram de sola na canela. Dão um beijo, mas à la Sharon Stone, com um picador de gelo na mão cerrada nas costas.
Utopia. Já pensou um mundo com todas estas conquistas, mas com espíritos desarmados? Já pensou que máximo, ser escolhido por uma mulher, ser conquistado e envolvido por ela, "sem medo de ser feliz"? Quem sabe não está na hora de passarmos para a próxima fase desta revolução? A do amor baseado na autoconfiança e confiança mútua?
Tenho vivido os últimos 3 meses e meio desta maneira. Não tenho do que me queixar.
Beijos a todas.
PS: Tore, na verdade, é _Ne_. Vou assinar com o nickname carinhosamente dado pela irmã de uma das donas deste espaço.
quarta-feira, março 16, 2005
A Cebola e a Cenoura
Há um ano atrás, estávamos tentando nos encontrar. Lost cause, O Verdadeiro Você, Fases de toda mulher nossa de cada dia, Antes só do que mal acompanhada, Dicionário, e muito This hurt will hurt no more. Paixão, desilusão, dor-de-cotovelo, esperança, esquecimento, carência, piranhice, nova paixão. Muitas foram as percepções da realidade, mas o mote era invariavelmente o mesmo. Mudaram alguns personagens, vieram mais amigos, e os comentários nos enchem a alma. Os posts da _Me_ sempre incompreendidos. As minhas pseudo-poesias que talvez digam alguma coisa qualquer. As palavras sentimentalíssimas da *Star. Um ano depois, quais são os resultados? Mais TPM, mais dor-de-cotovelo e ainda mais palavras cósmicas e despretensiosas... Só que desta vez, as coisas estão diferentes. Nos encontramos nas palavras. Eu. Você. Todos. Algumas de nós encontraram a paz. Outras procuram livrar-se dela. Há até quem ainda não encontrou nada, mas continua procurando. E, como o Cebola precisava de um alter ego, algo que trouxesse uma visão do outro lado do espelho, convidamos dois queridos amigos para fazerem parte deste universo do palavrório sentimental. Com vocês, a partir de hoje, o _Ne_ e o **Leleu**. A nossa parte masculina. O outro eu do Cebola: a Cenoura. Eles já escrevem seus próprios blogs, e agora vão desvendar e compartilhar conosco suas neuras, preocupações, alegrias, bobagens, medos, convicções, opiniões, dúvidas, enfim, tudo o que está sob o invólucro de um ser masculino, tão misterioso e incompreensível para nós, mulheres. Sejam bem-vindos, Nê e Leleu!!!
domingo, março 13, 2005
Meio-termo
Meio-termo, meio-termo, meio-termo.
Será que se eu repetir diversas vezes eu entendo?
Meio-termo, meio-termo, meio-termo...
Será que se eu repetir diversas vezes eu entendo?
Meio-termo, meio-termo, meio-termo...
terça-feira, março 08, 2005
Clichês
Hoje não acordei para clichês, nem lugares comuns. Usei peças de roupa repetidas, com outra combinação. Entrei por outra porta, sai pela lateral. Dormi no sofá, para variar. Não peguei o elevador, fui pelas escadas. Fiquei a pé. O cabelo sujo, contando somente com tic-tacs para disfarçar, e nem liguei. Vesti uma meia de cada cor. Troquei o relógio de pulso. Não demonstrei animosidade. Não me comemorei hoje, me comemorei ontem. E antes e antes.
quinta-feira, março 03, 2005
McRomance
Já acho que amor de novela não existe. Muito menos aquele amor cinematográfico, que leva os pobres coitados dos protagonistas de filmes a moverem montanhas. E aquelas canções de amor? Tudo farsa, mentira. A realidade é diversa, é, bem, a realidade. Fato é que a grande maioria de nós anda pelas ruas sem seu par ao lado. As mãos seguem o balanço sozinhas. O versos são vãos, irresponsáveis. Ah, e o velho fingir na hora rir! E toda aquela baboseira nonsense de que quando menos se espera, a pessoa da sua vida aparece. Cansei! Me falaram que não se escolhe a hora de se apaixonar. Pois bem, eu estou escolhendo. Quero me apaixonar enquanto aindo sou jovem. Estou escolhendo não escolher tanto. Estou escolhendo o caminho fácil, um McRomance. E sim, eu quero fritas para acompanhar.*
Post chato, de um dia chato, com uma tpm chata.
*Do filme "Eternal Sunshine of the Spotless Mind"
Post chato, de um dia chato, com uma tpm chata.
*Do filme "Eternal Sunshine of the Spotless Mind"
domingo, fevereiro 27, 2005
Em tempo, ao tempo
Telefone. Nada. Distrai-se, mas já confere se por acaso não escutou o sinal de mensagem em seu celular. Bate o pé. Vai fazer hidratação no cabelo. Não aguenta. Desgraçado, filho da mãe. Quem sabe e-mail? Filme desinteressante na televisão. Finge que presta atenção. Frio na barriga, enjôo. Dorme. Sonha. Não estaria ele online? Vê, pela quinta vez em menos de um minuto, os ponteiros do relógio. Igual. Espera, outra vez. Ops, ele logo ali. Arrepende-se por não ter colocado outra roupa. Oi, olá. Tudo bem, tudo e você. Tenho que ir, como quiser. Merda! Chocolate. Estepe. Outro filme, dessa vez ligeramente menos desinteressante. Pode-se até dizer que prestou atenção. Ainda nada de e-mails ou mensagens. Come, afinal, se gorda, pelo menos ele terá algum motivo pra não ligar. Desiste. Show. Livro. Cinema. Bar. Quando vê, a espera se torna cada vez menos dolorida. Até que não há mais pelo que esperar.
Boa nova é a insistência dos segundos e minutos em passar, assim as horas e dias também. De repente outra semana. Sim, o velho chavão o-tempo-cura-tudo. Cura mesmo. Mas quem vê graça nisso? Há que se reconhecer uma certa tristeza neste fato, aquilo que enfraquecia os joelhos, hoje não passa de mera lembrança. Não causa mais dor, apenas uma ligeira estranheza. A angústia se agarra na esperança, no romance, e assim se vão todos. Nada mais a preencher o que quer que seja.
Só resta um brinde ao tempo, nosso triste salvador.
Boa nova é a insistência dos segundos e minutos em passar, assim as horas e dias também. De repente outra semana. Sim, o velho chavão o-tempo-cura-tudo. Cura mesmo. Mas quem vê graça nisso? Há que se reconhecer uma certa tristeza neste fato, aquilo que enfraquecia os joelhos, hoje não passa de mera lembrança. Não causa mais dor, apenas uma ligeira estranheza. A angústia se agarra na esperança, no romance, e assim se vão todos. Nada mais a preencher o que quer que seja.
Só resta um brinde ao tempo, nosso triste salvador.
sábado, fevereiro 26, 2005
É hoje
É hoje que a noite vai ser boa. É hoje que eu conheço alguém, que me faço entender. E hoje que eu danço até as canelas doerem, que o que eu pedi sai do jeitinho que eu gosto, que toca a minha música. Espera-se que seja hoje que ocorra uma mudança, que não seja aquele "É hoje" vazio, aquele "É hoje que eu volto sozinha", "É hoje que as músicas são ruins". Não que se possa botar defeitos em minhas noites...
terça-feira, fevereiro 22, 2005
Lua Adversa
Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir pra rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
Tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para o meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é o dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
(Cecília Meireles)
Na falta de inspiração, recorro à dos outros...
Fases de andar escondida,
fases de vir pra rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
Tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para o meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é o dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
(Cecília Meireles)
Na falta de inspiração, recorro à dos outros...
domingo, fevereiro 20, 2005
O Inusitado
Nunca fez parte da minha vida
Vem um dia dizendo palavras
Que transbordam sentimentos difusos
Nunca pensei que pudessem
Um dia fazer qualquer sentido
Não peça palavras seguras
Apenas dê-me motivos razoáveis
Diga-me com seu coração
Se seus sentimentos são confiáveis
Vem um dia dizendo palavras
Que transbordam sentimentos difusos
Nunca pensei que pudessem
Um dia fazer qualquer sentido
Não peça palavras seguras
Apenas dê-me motivos razoáveis
Diga-me com seu coração
Se seus sentimentos são confiáveis
domingo, fevereiro 13, 2005
O Segredo
Queria poder dizer tantas coisas. Queria poder saber tantas coisas. Sei apenas que por mais que o tempo passe, nunca saberei do que se passa em si. Do que verdadeiramente quer. Do que verdadeiramente busca. Do que verdadeiramente esconde, de modo tão silencioso. Será que é tão impossível que sejamos mutuamente verdadeiros? Será que estamos fadados a morrer com segredos que passamos a vida a desejar com quem partilhá-los, a quem confiá-los? Será que somos tão sozinhos ao ponto de inexistir tal cumplicidade? Será que as nossas construções ideais são tão inatingíveis ao ponto de serem inexistentes? Quero desvendar tais segredos, mas que a resposta deles me venha em tempo, pois desejo desfrutá-las. Que me venha hoje, pois o amanhã é incerto. Que me venha como uma luz, pois da escuridão me basta estar só.
quarta-feira, fevereiro 02, 2005
Da Mulher Moderna
Mulher moderna não tem medo de demostrar seus sentimentos, até porque via de regra, não tem nenhum. Mulher moderna não é o que se convencionou chamar de uma boa namorada, pois dificilmente faz as vontades de seu parceiro. Não há que se abrir a porta do carro para uma mulher dessas. Segurança. Independência. Não tem remorso, não se arrepende. Foda-se. Mulher moderna (ab)usa. De homem, de bebida, de roupa. Não hesita em chamar o cara que for pra sair. Liga, dá o fora, some. Não se apega. Ela gosta do descontrole.
Após certa modernice, cansei. Há tempos perdi o meio termo. Agora, o quero de volta. Nem o céu, nem o inferno. Nem quente, nem frio, apenas morna. E quem quiser, que me vomite*.
* Carta de Laudicéia, da Bíblia. "Seja quente ou seja frio. Não seja morno que eu te vomito". Quem diria, uma atéia citando passagens bíblicas...
Após certa modernice, cansei. Há tempos perdi o meio termo. Agora, o quero de volta. Nem o céu, nem o inferno. Nem quente, nem frio, apenas morna. E quem quiser, que me vomite*.
* Carta de Laudicéia, da Bíblia. "Seja quente ou seja frio. Não seja morno que eu te vomito". Quem diria, uma atéia citando passagens bíblicas...
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