segunda-feira, julho 11, 2005

A Rapidinha Também Tem O Seu Valor?

Volto a um ponto que já comentei aqui, acho que na minha primeira contribuição.
Saímos ontem à noite, eu e a Doutora, para comer um "Ultimate Nachos" regado a cerveja. Lugarzinho pop, azaração, casais, etc.
O Flávio Gikovate adora comentar que os jovens deram uma contribuição relevante aos relacionamentos, o "ficar com". Para que já usufruiu disto, não vou cuspir no prato que comi. Mas para mim isto foi a inauguração de um novo tipo de relaciomanento: a Relação Pop. Consumível, descartável, não necessariamente memorável. Pode-se argumentar que estamos fazendo um "test drive" de caráter sentimental e tátil, mas na conta das evoluções, precisamos debitar mais uma. Meninas, vocês não sabem como era gostoso ter que "pedir em namoro" e esperar um, dois ou três dias pela resposta. Nos corredores da escola, encostávamos as melhores amigas na parede, "e aí, ela comentou algo com você? Tenho chances?". Fetiche de coroa, talvez. Mas na minha época já rolava a ficada, mas quando era de ficar, só não rolava namoro se algumas das partes fossem muito toscas.
Isto "evoluiu" ao realmente pop. Efêmero, breve, oco, vazio, portanto, sem sentido. Grande parte dos casais ontem ali presentes estavam na espreita. Tipo: meu carro hoje é um Fiesta. É bom, atende as minhas necessidades. Mas sabe como é... Eu mereceria mais não? Estou juntando uma grana, na batalha... numa dessas eu embarco em um Astra. Depois, visulumbro um Pajero, por aí vai.
Casalzinho padrão Crystal Plaza ao lado. Rapaz fortão. Boné. Von Dutch, claro. Namoradinha (ficante?) a tiracolo. Loira, claro. Não totalmente. Ops, não fiquei tão íntimo da moça, mas algumas raízes escuras despontavam. Malhada, sarada e, o mais importante, com aquela carinha "tá bom, mas nada me satisfaz". Olha ao lado. Estou aqui. Se estou acompanhado, então para ela vale a pena a olhada. Dá uma "escaneada":
-Celular Visível? Qual marca?
-Tênis? Da moda? Qual?

E, claro, o mais importante:
-Chaveiro do carro? Cadê????

Dá uma geral, nada que valha a pena a troca. Subitamente ela deixa de olhar-me, já emborca na direção de outro casal, que estava em uma mesa na diagonal entre nós. Tive dó do rapaz que a acompanhava, era gentil, solícito, cumprindo os canônes: puxou a cadeira pra ela, chamou o garçon adequadamente, essas coisas.
Aquilo não era uma ficada, já chegaram juntos de mãos dadas. Se ficou e gostou, assuma. Vista a camisa. Pessoas não são marcas, não são descartáveis. Cada um de nós tem uma beleza única. Se a ficada valeu, viva a beleza e não a traia. Seja honesta, se não te apetece mais, saia. Mas nada de ficar procurando uma grama e, ao achá-la ficar pensando se a do vizinho vale a pena a pisada.

domingo, julho 10, 2005

Sim, eu sei que este blog tem cinco pessoas...

Não estou com vontade de escrever. Verbo estar, não o ter. Pensei em tapar o buraco de sei lá quantos dias com posts passados, mas nada do que escrevi até hoje pareceu me representar. As idéias soltas, não encontram lugar e vagam perdidas. Quando as encontrar, aviso.

sexta-feira, junho 24, 2005

Não, não, não OU Spoiled Rotten

Não, não, não. Não pode fazer isso, não. Só eu posso. Eu. Você não. E não interessa que já não se possa mais contar nos dedos as vezes que te fiz. Não interessa mesmo. Você não pode. Esta é pregorrativa minha. Exclusiva. Não sua, minha. Desfaça! E rapidinho. Agora mesmo. Neste instante. E não volte mais a fazer. E aprenda que só eu posso. Só eu. Eu.

terça-feira, junho 21, 2005

Solidão que nada

Sabia que aquela melação toda era a praxe do início apaixonado. Começou até a curtir os apelidos no diminutivo, as brincadeirinhas sem-graça, a vozinha de criança, as manhas, as chantagens, a linguagem retrógrada do tempo em que tudo o que se falava eram sílabas duplicadas. Momô, bibi, xaxá, fufu, mimi, naná, pipi, totó, e por aí ia. Fazia questão de repetir todo aquele interlóquio enquanto contava e ouvia como o dia tinha ido. Quando ficava finalmente sozinha, suspirava. Sentia um misto de alívio e angústia. Sabia que o costume era responsável por este último. Sabia que, inexoravelmente, algum dia, em qualquer lugar, em uma hora incerta, tudo iria acabar. E começar de novo.

terça-feira, junho 07, 2005

Rabiscos de um cenoura brutalmente apaixonado ...

Sonhava em ter braços maiores. A paixão difusa pela vida trazia o desejo de abraçar muitas coisas ao mesmo tempo. Assim, carregava sempre um descompasso gritante entre o desejado e o possuído. Nada bastava, nada satisfazia. Aquilo que parecia intensidade não passava de movimento frenético: fuga. E a fuga trazia consigo a confissão de esperança. Como esperou! Agora escreve sobre o descompasso e a fuga usando os verbos no passado. Vive o encontro com o absoluto no abraço mais singelo, abraço para o qual os seus braços foram feitos.

domingo, junho 05, 2005

Desviante

Não vou olhar. Desvio o meu olhar. Vou me enganar. Só mais um pouquinho. Só por mais um tempo. Depois eu paro. Afinal, que mal tem a irrealidade? Tão mais confortável. Mas depois eu paro. Paro sim. Eu consigo. Paro quando eu quero. Nossa. Já pareço uma viciada. Não, não. Já disse que já olho pra frente. Se bem que... quem sabe, se eu esperar só mais um tantinho as coisas não se resolvam? Vai que ele se endireita, nunca se sabe. O marido da vizinha da amiga da minha prima era assim, que nem ele. Hoje é um santo! As pessoas mudam. Mudam, sim! "E se não mudar?", dizem elas. Bem, acredito que seja melhor que uma cama vazia e fria. Ou que a companhia de 62 gatos. "Você acha outro". Afirmação padrão. Lugar-comum. Mas vocês não devem se preocupar comigo. Já disse que vou parar de olhar pro lado, que largo dele. Meu olhar já já não vai mais se desviar. Eu consigo ficar sozinha, consigo sim. Só mais um pouco e eu....

terça-feira, maio 31, 2005

Amor desses de cinema

O de sempre. Acordou com um mau-humor desgraçado. Monossilábica. De quebra, aquele sono irritante. Claro, assim que pôs os pés na rua, um casal passeava de mãos dadas pela calçada. Daqueles felizes para sempre. Que coisa idiota! Direto para o ponto de ônibus. Não deu outra. Outros dois se beijando. Tentou não olhar. Entrou na lotação. Pagou a tarifa, entediada. Sentou-se. Estava querendo prestar atenção em nada. Olhar os lugares passando pela janela. Distraída, olhava para um canto. Notou alguns pés. Quatro, em particular. Que droga, não se separam! Levantou o olhar. Adivinha? Mais um par de pombinhos. Daqueles de propaganda de creme dental. Quis soltar um grito, mas, a essa altura, ou gritava ou descia. Desceu. Foi caminhando. Tropeçou um pouco. Resmungou. Xingou. Entrou em um prédio. Enquanto aguardava parada, pensava consigo. Amor, desses de cinema, só mesmo em contos da Carochinha. Entrou no elevador. Mal sabia ela que esse tal amor de cinema existia sim. Bem ali, ou aqui, sabe-se lá. Seu maior inimigo, no entanto, ela mesma. E amor existe para quem quer que diga não estar apaixonado?

quarta-feira, maio 25, 2005

O mundialmente famoso tapa buraco OU AINDA músicas que falam por mim

"These bonds are shackle free
Wrapped in lust and lunacy
Tiny touch of jealousy
These bonds are shackle free"

Placebo - Ask for answers


"Esses laços estão livres de amarras
Revestidos de luxúria e loucura
Pequeno toque de ciúmes
Esses laços estão livres de amarras"

segunda-feira, maio 16, 2005

Adaptação

"A vida é curta. Eu preciso aproveitá-la ao máximo. Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida. Eu sou um clichê ambulante. (...) Se eu parasse de deixar as coisas para depois eu seria mais feliz. Tudo o que eu faço é sentar sobre a minha bunda gorda. Se a minha bunda não fosse tão gorda, eu seria mais feliz. Eu não teria que usar essas camisetas com a ponta para fora todo o tempo. Como se aquilo enganasse alguém. Bunda gorda. Eu deveria começar a correr novamente. Cinco milhas por dia. Realmente fazê-lo dessa vez. Talvez escalada. Eu preciso mudar completamente a minha vida. O que eu preciso fazer? Eu preciso me apaixonar. Eu preciso ter um relacionamento. Eu preciso ler mais e provar a mim mesma. E se eu aprendesse a falar Russo ou começasse a tocar um instrumento? Eu poderia falar Chinês. (...) Por que eu deveria sentir que eu tenho que me desculpar pela minha existência? Talvez seja a química do meu cérebro. Talvez seja isso o que eu tenho de errado. Química ruim. Todos os meus problemas e ansiedade podem ser reduzidos para um desequilíbrio químico ou algum tipo de sinapses falhas."*

Não sou nenhuma mulher problema, espero. Talvez seja. Não escrevo odes à TPM, apenas esta afeta meus escritos. Tenho relacionamentos pós modernos. Será que estou perdida? Se estivesse, talvez escrevesse um ode à TPM. E isto não é um ode à TPM. Isto é apenas o que eu sinto. Agora. Não o que senti há dez minutos. Não o que sentirei amanhã. Talvez. Mas por enquanto, por hora. Sentimentos esboçados por outro, traduzidos por personagem de filme. Adaptados. Isto são apenas reflexões. Reflexões para o Cebola Roxa. Não sou a _Me_. Ela é apenas a minha manifesta parte bipolar, paranóica e tepeêmica.

* Fala da personagem Charlie Kaufman, no filme "Adaptação".

quinta-feira, maio 12, 2005

Bom Mesmo é Sofrer(? ou .)

Amor que é amor tem que doer. Tem que ser sofrido. Tem que jogar o coração boca à fora. Tem que dar gastrite, ansiedade, esquizofrenia. Se for verdadeiro, no começo é assim. Depois, para se justificar, tem que dar paz, tranquilidade, satisfação, tesão, paixão.
Gosto de citar Bossa Nova quando falo de amor. Podem conferir meu post em 03/12/04 no Notícias do Balneário, "Samba de Primeira Classe" (vão lá ver o jabá: http://noticiasdobalneario.blogspot.com). Novamente, concordo com o Maestro:

Triste é viver na solidão
Na dor cruel de uma paixão
Triste é saber
que ninguém pode viver de ilusão
Que nunca vai ser, nunca vai dar
Num sonhador, tem que acordar
Sua beleza é um avião
Demais pra um pobre coração
Que pára pra te ver passar
Só pra me maltratar
Triste é viver na solidão
Triste é viver na solidão
Na dor cruel de uma paixão
Triste é saber
que ninguém pode viver de ilusão
Que nunca vai ser, nunca vai dar
Num sonhador, tem que acordar
Sua beleza é um avião
Demais pra um pobre coração
Que pára pra te ver passar
Só pra me maltratar
Triste é viver na solidão
Triste é viver na solidão
Na dor cruel de uma paixão
Triste é viver na solidão
Na dor cruel de uma paixão
Triste é saber
que ninguém pode viver de ilusão
Que nunca vai ser, nunca vai dar
Num sonhador, tem que acordar
Sua beleza é um avião
Demais pra um pobre coração
Que pára pra te ver passar
Só pra me maltratar
Triste é viver na solidão.

Estou numa fase de minha vida em que encaro o amor de forma diferente. Gosto do companheirismo. Daquele esfregar de meias ao amanhecer numa manhã de inverno. Do café mal passado e compartilhado, às pressas, de manhã cedinho. Daquele porre homérico a dois, dançando no aperto do Korova. Daquele "cinema transcedental", no Cinemark (abaixo os braços de cadeiras em cinema!), seguido de uma cerveja com discussão sobre o tema no Dom Max. Em seguida, esticamos no James e tomamos café da manhã no Fran´s, ou qualquer padaria não respeitável que se apresente. Nós, homens, somos acostumados a fazer estas esticadas de 3, 4 programas em uma noite só. É massa. Quando rola um "Retroceder Nunca, Render-se Jamais", é o bicho. Fazer tudo isso ao lado da cara metade é melhor ainda.

Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem pra seguir viagem
Quando a noite vem

E também pra me perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega, mas não lava
Quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo te alucina, salta e te ilumina
Quando a noite vem

E nos músculos exaustos do teu braço
Repousar frouxa, murcha, farta, morta de cansaço
Quero pesar feito cruz nas tuas costas
Que te retalha em postas mas no fundo gostas
Quando a noite vem

Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva
Marcada a frio, a ferro e fogo
Em carne viva
Corações de mães, arpões
Sereias e serpentes
Que te rabiscam o corpo todo
Mas não sente...

Quem escreve acima é o Chico. Talvez Chico seja o único homem que entedeu o verdadeiro sentido do amor do ponto de vista feminino. É ele, e apenas ele, quem canta desventuras amorosas de uma maneira tão feminina, que dá vontade de passar conversa até na Maria Bethânia, quando ela o canta.
Nos últimos 10 a 15 anos, foi o ápice da "mulher problema". Odes ao TPM e à independência feminina! Passou a ser charmoso a desconfiança, o egocentrismo, o consumismo. Esteticamente, enebriaram-se em penduricalhos e roupas que as deformam. Acho que passou-se uns 10 anos admirando uma beleza durante à noite para acordar ao lado de outra pela manhã. Só que esta, ao contrário do saber comum, era mais bela do que a noturna. No comportamento, virou "cool" mimetizar o "cool".
Depois de muito tempo, ninguém mais aguenta este tipo de mulher. Surgiu a nova mulher. Companheira, amiga, naturalmente linda.
Por um tempo, confundimos sofrimento de amor com mau humor e outros sentimentos pedantes. O fato de não ter retornada uma ligação, não significava aquela dúvida, aquele anseio generoso. Significava insegurança, má educação, desleixo.
Amor que é amor, machuca, mas cuida da alma. Viva à alvorada da Nova Mulher. Seleção Natural. Adapte-se, ou suma.

Alvorada
Lá no morro, que beleza
Ninguém chora, não há tristeza
Ninguém sente dissabor
O sol colorindo
É tão lindo, é tão lindo
E a natureza sorrindo
Tingindo, tingindo

Você também me lembra a alvorada
Quando chega iluminando
Meus caminhos tão sem vida
Mas o que me resta
É bem pouco, quase nada
Do que ir assim vagando
Numa estrada perdida.

(Carlos Cachaça/Cartola).

quarta-feira, maio 11, 2005

Dito de outra forma

A aventura é irresistível. O seu canto é convincente – muitas coisas absurdas parecem convincentes quando se vive a aventura, quando se ouve o seu canto. A aventura é intensa. Intensidade é algo que se deseja. É por isso que tentamos constantemente transportar a lógica da aventura para o futuro: “sim, é para sempre”. É fácil pensar no “sempre” através da intensidade do presente. É ainda mais fácil cair na tentação de aprisionar o futuro através da sinceridade do presente. Nunca houve amante mais sincero e intenso do que Casanova. Olhar para o futuro e admitir a incerteza é difícil. Admitir que o encanto da aventura só faz sentido no presente pode ser insuportável. Aceitar o desafio de renovar o encanto da aventura a cada dia ... isto é dádiva.

terça-feira, maio 10, 2005

Sobre relacionamentos pós-modernos

Você olha, você deseja. Quer. Não quer. Quer, sim. Beija. Beijo este que, de preferência, dure "felizes para sempre". Ou não. Fica junto. Gruda mesmo. Ama muito. Ou pouco. Apaixonadamente. Aí começam as promessas. Prometa daí que eu prometo daqui. Para sempre. Para nunca. Tudo e nada, quando o nada é alguma coisa. Quer até o último dia. E o que significa último dia quando se trata do volúvel e iludível coração humano? Boa pergunta.

quinta-feira, maio 05, 2005

Generation Gap

- Mãe, tô saindo.
- Onde você vai?
- No cinema.
- Com quem?
- Com Victor Manuel Cortéz*
- Quem é esse, Melina Angélica*?
- Um cara com quem estou saindo.
- E ele faz o que?
- Ele é baterista de uma banda.
- Ai minha filha, será que dessa vez você não poderia ter arranjado alguém, assim... normal?

Baseado em fatos reais...
* Os nomes foram modificados para proteger os não tão inocentes

terça-feira, abril 26, 2005

Longe Demais: "Closer."

Duvido que vocês todas saibam da história do Leoni. Maldito Google, dei a dica, lá vão elas pesquisar. Sejam preguiçosas e leiam por aqui mesmo.
Leoni era marido (amancebado) da Paula Toller. Junto com outros, fundaram o Kid Abelha e Os Abóboras Selvagens na virada de 1982 para 83. Áureos tempos do Circo Voador, no Rio. O conjunto fez sucesso, está até hoje na estrada. Contudo, teve seu ápice ao redor do Rock in Rio de 85. A expectativa era grande, a banda e os integrantes novos, iriam tocar antes de feras consagradas e de um público enorme e exigente. Contudo, aquelas baladas bobinhas, juvenis, temperadas com a boa presença de palco da trupe, deram conta do recado. O show foi um sucesso. Não estou falando das últimas músicas do conjunto (todas absolutamente descartáveis), mas de clássicos de minha geração como "Por que não eu?"; "Alice (não escreva aquela carta)"; "Fixação"; "Como eu quero", dentre outras. O que todas estas músicas têm em comum? Leoni! Leoni é o cara!
No meio de músicas de protesto do pessoal do Planalto Central (Que País é Este? ; Até Quando Esperar; O Concreto Já Rachou), da viajante Geração Dourada do Rio (Garota Dourada; Adão e Eva no Paraíso), o Kid Abelha se destacava por músicas românticas e pegajosas. Mal comparando, tipo um Roxette. Só que melhor que o Roxette. As letras do Leoni vão direto no coração, se você estiver na fossa (ou TPM...) não tem Prozac que te quebre o galho. Leoni sempre questionava, na voz inquisitória de Paula Toller, por que o amor nunca funcionava com ele.

"Eu tenho o gesto exato, sei como devo andar
Aprendi nos filmes pra um dia usar
Um certo ar cruel de quem sabe o que quer
Tenho tudo planejado pra te impressionar

Luz de fim de tarde, meu rosto em contra-luz
Não posso compreender, não faz nenhum efeito
A minha aparição será que errei na mão
As coisas são mais fáceis na televisão

Ainda encontro a fórmula do amor... "

Afundado ainda mais em mágoas e questionamentos, ele extrapola:

"Quando ela cai no sofá, so far away
Vinho à bessa na cabeça, eu que sei
Quando ela insiste em beijar seu travesseiro eu me viro doavesso
Eu vou dizer aquelas coisas, mas na hora esqueço
Por que não eu ?
Por que não eu ?"

De fato, as mulheres pensam diferente dos homens. Leoni percebe isto e descreve de maneira sublime:

"Diz pra ficar muda faz cara de mistério
Tira essa bermuda que eu quero você sério
Tramas de sucesso mundo particular
Solos de guitarra não vão me conquistar

Hum! Eu quero você como eu quero...

O que você precisa é de um retoque total
Vou transformar o seu rascunho em arte final
Agora não tem jeito "cê" tá numa cilada
Cada um por si você por mim e mais nada"

Pronto Leoni, agora que ela te deu retoque total, qual o seu problema?

"Tantos sonhos morrem em poucas palavras.
Um bilhete curto... já não há nada.
Alice não se esqueça do nosso amor.
Será que eu tenho sempre que te lembrar.
Todo dia, toda hora?
Eu te imploro por favor!

Alice não me escreva aquela carta... de amor, oh, oh, oh
Alice não me escreva aquela carta... "

E Leoni recebeu a carta. Paula Toller ouviu os apelos de Hebert Viana em "Vamos fugir". Daí Leoni virou mito. Cantou todas as inseguranças e medos de nós, rapazes adolescentes, e viveu o maior de todos: o indelével pé na bunda. Virou herói. Herói da Resistência:

" Não vem agora com essas insinuações
Dos seus defeitos ou de algum medo normal
Será que você não é nada que eu penso?
Também se não for não me faz mal
Não me faz mal não
Noite e dia se completam no nosso amor e ódio eterno
Eu te imagino
Eu te conserto
Eu faço a cena que eu quiser
Eu tiro a roupa pra você
Minha maior ficção de amor
E eu te recriei só pro meu prazer
Só pro meu prazer..."

No fundo, todos nós procuramos o grande amor. Vez por outra, tropeçamos com ele pela vida. De tanto penar, nós, almas surradas e calejadas, custamos aceitar porque alguém nos estende a mão para uma mísera felicidade. Daí vem a pergunta feita por Jude Law em Closer: "Por que eu?".
Leoni é o cara.

terça-feira, abril 19, 2005

Sobre a ausência

Ausência.
De ânimo. De tempo. Do outro.
Ausência.
De sentimento. De estranhamento. De ciúme.
Ausência.
De decepção. De paixão. De perda de controle.
Ausência... Estou ausente.

quarta-feira, abril 13, 2005

TPM de apaixonada

É fiel. Será? Seria? Não importa. Importa sim. Sabe o quê? Cansei. Não amo mais. É carinhoso. Um dia. Quase sempre. É mesmo? Não é. Ainda estou carente. Tô fora. Nada disso. Isso. Fui. É lindo. Estão olhando? Quem é aquela? Saiu com ela? Não quero saber. Ou quero? Conta, vai. É mentira. Vou embora. É músico. Podia ser coisa melhor. Sociólogo, quem sabe. Papo-cabeça é afrodisíaco? Está mais pra fonte de mal-entendidos. Sério? Não. Me arrepio toda com citações de Foucault. Se bem que não tem nada melhor que Los Hermanos cantarolado ao pé da orelha...

domingo, abril 10, 2005

Próxima atração na HBO: Melina Tpêmica

Era cansada, cansei, cansaço. Mas mais poderia ser, chorosa, chorei, choro. Passei o dia inteiro chorando. Sim eu sou uma mulherzinha. Pior! Mulherzinha em crise de TPM aguda. Meu cabelo estava oleoso, buá. Fui no médico e não tinha nada de errado com as minhas amídalas, buá buá. Também chorei porque o Bruce Willis resgatava refugiados africanos e metade dos seus homens morria na missão. "Não deixe que a minha morte seja em vão! Salve os refugi-cof cof-ados" e plof, morria. E eu chorava. Daí em outro filme era a vez de uma velhinha ir pro beleléu. Choradeira. Tá, vou mudar de canal. O príncipe Charles e a Camilla se casaram, ou como dizia na cobertura da TV espanhola, Carlos e Camila. Snif, snif. Coitados! Tiveram que esperar tanto tempo. O que? 35 anos? Mas também, com esse penacho horrível na cabeça... E lá eu com a Camila e o Carlos? Ah não! Agora foi o irmão do marido da velhinha que morreeeeeeu! Melhor assistir o DVD que eu peguei, Antes do Pôr do Sol. Não que eu esperasse que fosse muito feliz, talvez quisesse, inconscientemente chorar mais. E chorei. Muito mais. Primeiro porque o Jesse e a Celine se reencontraram depois de 9 anos. Depois porque ela chorou. De repente estava chorando e nem sabia mais o motivo, chorava por chorar. Talvez o choro fosse pelo fato de que eu me sentia mau amada. Sozinha. Talvez fosse pelo fato de que eu provavelmente nunca seria “aquela que escapou” de ninguém. Nem nunca ficaria casada por 57 anos. Nunca seria a pessoa mais importante na vida de ninguém. Seria uma daquelas velhas loucas, solteiras, que nunca casou e que agora vive somente na companhia de 62 gatos. Claro que esqueci que odeio gatos, ainda mais 62. E claro que era melodrama, daqueles bem baratos.

"The concept is absurd. The idea that we can only be complete with another person is evil! Right?" (Celine, em Antes do Pôr do Sol)
"O conceito é absurdo. A idéia de que somente podemos ser completos com outra pessoa é má. Certo?"

quarta-feira, abril 06, 2005

Untitled

Cansada. Cansei. Cansaço. Não sei do quê, de quem, nem perguntarei por que. Cansei de querer o que não sei. Cansei. Cansei de escrever coisas estúpidas. Cansei de esperar por ti, que nunca vem, mais ainda cansei de não esperar por ti para ver se você vem. E você não vem. Você nunca vem. E eu aqui, não te esperando. Tentando levar a minha vida. Tentado ouvir palavras vazias. Tentando me enganar. E nada de você ainda. Nada. Muito se diz sobre auto-suficiência, porra. E quando você chegar? Quando você chegar te deixarei escapar. Não saberei que você era quem eu esperava. Estarei cega de tanta espera. Espera. Espera. Ops! Não-espera. Não-espera. Afinal, não estou esperando por você. Quem sabe assim você vem. Nunca ninguém espera, não é isso que dizem por aí? Não-espera. Não-espera. Não-espera. E cansaço. Cansei. Cansada.

segunda-feira, abril 04, 2005

Da Dedicatória Que Já Deveria Ter Sido Escrita.

Sentimos falta de vocês dois. O ano virou, a vida engrenou, mas recuso-me a citar John Lennon quando este falou "the dream is over". No memóravel 2004, nossas quatro vidas se cruzaram. Celebramos muito por isto. Passamos momentos felizes, onde nos beijamos, abraçamos, dançamos e choramos. Alopramos.
Para o meu irmão caçula: sinto sua falta. Das suas elocubrações, dos seus medos, do seu equilíbrio, da sua serenidade. Sinto falta de discutirmos se Jean Valejan foi FDP ou não roubando a prataria. Sinto falta de começarmos a discutir o seu projeto de doutorado e terminarmos perguntando porque todos aqui falam "fábrica da Audi" e não "fábrica da VW" (A VW é dona da Audi). Sinto falta do tratado que nunca foi escrito, "Da ignorância como forma de legitimação". Ou "Da relação entre o pingue-pongue e a manutenção de um estado stalinista na República Popular de China".
Para a por ele venerada: sinto sua falta. O mundo desaba, mas você o olha do mesmo jeito, entediada. Para que desabar e mudar tanto, se no fundo os objetivos permanecem? Nunca mais plantamos bananeiras. Nunca mais teorizamos sobre o maldito curativo no cangote de Marcellus Wallace e a sua possível relação com a maleta que Julius e Vince foram tomar do Brett.
Eu e a Doutora continuamos levando nossas vidas, que apesar de muito trabalho, tentamos levar dentro da normalidade. Não a normalidade utópica e intensa do final do ano passado. Esperamos que as rotinas se acomodem, a vida acalme e tornemos a, todos juntos, celebrarmos. Não estamos tristes ou preocupados. O que são uns meses diante de toda a vida de companheirismo que nos espera? Mas não podemos negar que, enquanto isto, gostaríamos de vocês por perto.
Beijos nos dois.

PS: LETi, sei que quebrei a única regra do blog. Não foi intencional. Foi de coração e de momento.