terça-feira, maio 31, 2005
Amor desses de cinema
O de sempre. Acordou com um mau-humor desgraçado. Monossilábica. De quebra, aquele sono irritante. Claro, assim que pôs os pés na rua, um casal passeava de mãos dadas pela calçada. Daqueles felizes para sempre. Que coisa idiota! Direto para o ponto de ônibus. Não deu outra. Outros dois se beijando. Tentou não olhar. Entrou na lotação. Pagou a tarifa, entediada. Sentou-se. Estava querendo prestar atenção em nada. Olhar os lugares passando pela janela. Distraída, olhava para um canto. Notou alguns pés. Quatro, em particular. Que droga, não se separam! Levantou o olhar. Adivinha? Mais um par de pombinhos. Daqueles de propaganda de creme dental. Quis soltar um grito, mas, a essa altura, ou gritava ou descia. Desceu. Foi caminhando. Tropeçou um pouco. Resmungou. Xingou. Entrou em um prédio. Enquanto aguardava parada, pensava consigo. Amor, desses de cinema, só mesmo em contos da Carochinha. Entrou no elevador. Mal sabia ela que esse tal amor de cinema existia sim. Bem ali, ou aqui, sabe-se lá. Seu maior inimigo, no entanto, ela mesma. E amor existe para quem quer que diga não estar apaixonado?
quarta-feira, maio 25, 2005
O mundialmente famoso tapa buraco OU AINDA músicas que falam por mim
"These bonds are shackle free
Wrapped in lust and lunacy
Tiny touch of jealousy
These bonds are shackle free"
Placebo - Ask for answers
"Esses laços estão livres de amarras
Revestidos de luxúria e loucura
Pequeno toque de ciúmes
Esses laços estão livres de amarras"
Wrapped in lust and lunacy
Tiny touch of jealousy
These bonds are shackle free"
Placebo - Ask for answers
"Esses laços estão livres de amarras
Revestidos de luxúria e loucura
Pequeno toque de ciúmes
Esses laços estão livres de amarras"
segunda-feira, maio 16, 2005
Adaptação
"A vida é curta. Eu preciso aproveitá-la ao máximo. Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida. Eu sou um clichê ambulante. (...) Se eu parasse de deixar as coisas para depois eu seria mais feliz. Tudo o que eu faço é sentar sobre a minha bunda gorda. Se a minha bunda não fosse tão gorda, eu seria mais feliz. Eu não teria que usar essas camisetas com a ponta para fora todo o tempo. Como se aquilo enganasse alguém. Bunda gorda. Eu deveria começar a correr novamente. Cinco milhas por dia. Realmente fazê-lo dessa vez. Talvez escalada. Eu preciso mudar completamente a minha vida. O que eu preciso fazer? Eu preciso me apaixonar. Eu preciso ter um relacionamento. Eu preciso ler mais e provar a mim mesma. E se eu aprendesse a falar Russo ou começasse a tocar um instrumento? Eu poderia falar Chinês. (...) Por que eu deveria sentir que eu tenho que me desculpar pela minha existência? Talvez seja a química do meu cérebro. Talvez seja isso o que eu tenho de errado. Química ruim. Todos os meus problemas e ansiedade podem ser reduzidos para um desequilíbrio químico ou algum tipo de sinapses falhas."*
Não sou nenhuma mulher problema, espero. Talvez seja. Não escrevo odes à TPM, apenas esta afeta meus escritos. Tenho relacionamentos pós modernos. Será que estou perdida? Se estivesse, talvez escrevesse um ode à TPM. E isto não é um ode à TPM. Isto é apenas o que eu sinto. Agora. Não o que senti há dez minutos. Não o que sentirei amanhã. Talvez. Mas por enquanto, por hora. Sentimentos esboçados por outro, traduzidos por personagem de filme. Adaptados. Isto são apenas reflexões. Reflexões para o Cebola Roxa. Não sou a _Me_. Ela é apenas a minha manifesta parte bipolar, paranóica e tepeêmica.
* Fala da personagem Charlie Kaufman, no filme "Adaptação".
Não sou nenhuma mulher problema, espero. Talvez seja. Não escrevo odes à TPM, apenas esta afeta meus escritos. Tenho relacionamentos pós modernos. Será que estou perdida? Se estivesse, talvez escrevesse um ode à TPM. E isto não é um ode à TPM. Isto é apenas o que eu sinto. Agora. Não o que senti há dez minutos. Não o que sentirei amanhã. Talvez. Mas por enquanto, por hora. Sentimentos esboçados por outro, traduzidos por personagem de filme. Adaptados. Isto são apenas reflexões. Reflexões para o Cebola Roxa. Não sou a _Me_. Ela é apenas a minha manifesta parte bipolar, paranóica e tepeêmica.
* Fala da personagem Charlie Kaufman, no filme "Adaptação".
quinta-feira, maio 12, 2005
Bom Mesmo é Sofrer(? ou .)
Amor que é amor tem que doer. Tem que ser sofrido. Tem que jogar o coração boca à fora. Tem que dar gastrite, ansiedade, esquizofrenia. Se for verdadeiro, no começo é assim. Depois, para se justificar, tem que dar paz, tranquilidade, satisfação, tesão, paixão.
Gosto de citar Bossa Nova quando falo de amor. Podem conferir meu post em 03/12/04 no Notícias do Balneário, "Samba de Primeira Classe" (vão lá ver o jabá: http://noticiasdobalneario.blogspot.com). Novamente, concordo com o Maestro:
Triste é viver na solidão
Na dor cruel de uma paixão
Triste é saber
que ninguém pode viver de ilusão
Que nunca vai ser, nunca vai dar
Num sonhador, tem que acordar
Sua beleza é um avião
Demais pra um pobre coração
Que pára pra te ver passar
Só pra me maltratar
Triste é viver na solidão
Triste é viver na solidão
Na dor cruel de uma paixão
Triste é saber
que ninguém pode viver de ilusão
Que nunca vai ser, nunca vai dar
Num sonhador, tem que acordar
Sua beleza é um avião
Demais pra um pobre coração
Que pára pra te ver passar
Só pra me maltratar
Triste é viver na solidão
Triste é viver na solidão
Na dor cruel de uma paixão
Triste é viver na solidão
Na dor cruel de uma paixão
Triste é saber
que ninguém pode viver de ilusão
Que nunca vai ser, nunca vai dar
Num sonhador, tem que acordar
Sua beleza é um avião
Demais pra um pobre coração
Que pára pra te ver passar
Só pra me maltratar
Triste é viver na solidão.
Estou numa fase de minha vida em que encaro o amor de forma diferente. Gosto do companheirismo. Daquele esfregar de meias ao amanhecer numa manhã de inverno. Do café mal passado e compartilhado, às pressas, de manhã cedinho. Daquele porre homérico a dois, dançando no aperto do Korova. Daquele "cinema transcedental", no Cinemark (abaixo os braços de cadeiras em cinema!), seguido de uma cerveja com discussão sobre o tema no Dom Max. Em seguida, esticamos no James e tomamos café da manhã no Fran´s, ou qualquer padaria não respeitável que se apresente. Nós, homens, somos acostumados a fazer estas esticadas de 3, 4 programas em uma noite só. É massa. Quando rola um "Retroceder Nunca, Render-se Jamais", é o bicho. Fazer tudo isso ao lado da cara metade é melhor ainda.
Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem pra seguir viagem
Quando a noite vem
E também pra me perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega, mas não lava
Quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo te alucina, salta e te ilumina
Quando a noite vem
E nos músculos exaustos do teu braço
Repousar frouxa, murcha, farta, morta de cansaço
Quero pesar feito cruz nas tuas costas
Que te retalha em postas mas no fundo gostas
Quando a noite vem
Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva
Marcada a frio, a ferro e fogo
Em carne viva
Corações de mães, arpões
Sereias e serpentes
Que te rabiscam o corpo todo
Mas não sente...
Quem escreve acima é o Chico. Talvez Chico seja o único homem que entedeu o verdadeiro sentido do amor do ponto de vista feminino. É ele, e apenas ele, quem canta desventuras amorosas de uma maneira tão feminina, que dá vontade de passar conversa até na Maria Bethânia, quando ela o canta.
Nos últimos 10 a 15 anos, foi o ápice da "mulher problema". Odes ao TPM e à independência feminina! Passou a ser charmoso a desconfiança, o egocentrismo, o consumismo. Esteticamente, enebriaram-se em penduricalhos e roupas que as deformam. Acho que passou-se uns 10 anos admirando uma beleza durante à noite para acordar ao lado de outra pela manhã. Só que esta, ao contrário do saber comum, era mais bela do que a noturna. No comportamento, virou "cool" mimetizar o "cool".
Depois de muito tempo, ninguém mais aguenta este tipo de mulher. Surgiu a nova mulher. Companheira, amiga, naturalmente linda.
Por um tempo, confundimos sofrimento de amor com mau humor e outros sentimentos pedantes. O fato de não ter retornada uma ligação, não significava aquela dúvida, aquele anseio generoso. Significava insegurança, má educação, desleixo.
Amor que é amor, machuca, mas cuida da alma. Viva à alvorada da Nova Mulher. Seleção Natural. Adapte-se, ou suma.
Alvorada
Lá no morro, que beleza
Ninguém chora, não há tristeza
Ninguém sente dissabor
O sol colorindo
É tão lindo, é tão lindo
E a natureza sorrindo
Tingindo, tingindo
Você também me lembra a alvorada
Quando chega iluminando
Meus caminhos tão sem vida
Mas o que me resta
É bem pouco, quase nada
Do que ir assim vagando
Numa estrada perdida.
(Carlos Cachaça/Cartola).
Gosto de citar Bossa Nova quando falo de amor. Podem conferir meu post em 03/12/04 no Notícias do Balneário, "Samba de Primeira Classe" (vão lá ver o jabá: http://noticiasdobalneario.blogspot.com). Novamente, concordo com o Maestro:
Triste é viver na solidão
Na dor cruel de uma paixão
Triste é saber
que ninguém pode viver de ilusão
Que nunca vai ser, nunca vai dar
Num sonhador, tem que acordar
Sua beleza é um avião
Demais pra um pobre coração
Que pára pra te ver passar
Só pra me maltratar
Triste é viver na solidão
Triste é viver na solidão
Na dor cruel de uma paixão
Triste é saber
que ninguém pode viver de ilusão
Que nunca vai ser, nunca vai dar
Num sonhador, tem que acordar
Sua beleza é um avião
Demais pra um pobre coração
Que pára pra te ver passar
Só pra me maltratar
Triste é viver na solidão
Triste é viver na solidão
Na dor cruel de uma paixão
Triste é viver na solidão
Na dor cruel de uma paixão
Triste é saber
que ninguém pode viver de ilusão
Que nunca vai ser, nunca vai dar
Num sonhador, tem que acordar
Sua beleza é um avião
Demais pra um pobre coração
Que pára pra te ver passar
Só pra me maltratar
Triste é viver na solidão.
Estou numa fase de minha vida em que encaro o amor de forma diferente. Gosto do companheirismo. Daquele esfregar de meias ao amanhecer numa manhã de inverno. Do café mal passado e compartilhado, às pressas, de manhã cedinho. Daquele porre homérico a dois, dançando no aperto do Korova. Daquele "cinema transcedental", no Cinemark (abaixo os braços de cadeiras em cinema!), seguido de uma cerveja com discussão sobre o tema no Dom Max. Em seguida, esticamos no James e tomamos café da manhã no Fran´s, ou qualquer padaria não respeitável que se apresente. Nós, homens, somos acostumados a fazer estas esticadas de 3, 4 programas em uma noite só. É massa. Quando rola um "Retroceder Nunca, Render-se Jamais", é o bicho. Fazer tudo isso ao lado da cara metade é melhor ainda.
Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem pra seguir viagem
Quando a noite vem
E também pra me perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega, mas não lava
Quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo te alucina, salta e te ilumina
Quando a noite vem
E nos músculos exaustos do teu braço
Repousar frouxa, murcha, farta, morta de cansaço
Quero pesar feito cruz nas tuas costas
Que te retalha em postas mas no fundo gostas
Quando a noite vem
Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva
Marcada a frio, a ferro e fogo
Em carne viva
Corações de mães, arpões
Sereias e serpentes
Que te rabiscam o corpo todo
Mas não sente...
Quem escreve acima é o Chico. Talvez Chico seja o único homem que entedeu o verdadeiro sentido do amor do ponto de vista feminino. É ele, e apenas ele, quem canta desventuras amorosas de uma maneira tão feminina, que dá vontade de passar conversa até na Maria Bethânia, quando ela o canta.
Nos últimos 10 a 15 anos, foi o ápice da "mulher problema". Odes ao TPM e à independência feminina! Passou a ser charmoso a desconfiança, o egocentrismo, o consumismo. Esteticamente, enebriaram-se em penduricalhos e roupas que as deformam. Acho que passou-se uns 10 anos admirando uma beleza durante à noite para acordar ao lado de outra pela manhã. Só que esta, ao contrário do saber comum, era mais bela do que a noturna. No comportamento, virou "cool" mimetizar o "cool".
Depois de muito tempo, ninguém mais aguenta este tipo de mulher. Surgiu a nova mulher. Companheira, amiga, naturalmente linda.
Por um tempo, confundimos sofrimento de amor com mau humor e outros sentimentos pedantes. O fato de não ter retornada uma ligação, não significava aquela dúvida, aquele anseio generoso. Significava insegurança, má educação, desleixo.
Amor que é amor, machuca, mas cuida da alma. Viva à alvorada da Nova Mulher. Seleção Natural. Adapte-se, ou suma.
Alvorada
Lá no morro, que beleza
Ninguém chora, não há tristeza
Ninguém sente dissabor
O sol colorindo
É tão lindo, é tão lindo
E a natureza sorrindo
Tingindo, tingindo
Você também me lembra a alvorada
Quando chega iluminando
Meus caminhos tão sem vida
Mas o que me resta
É bem pouco, quase nada
Do que ir assim vagando
Numa estrada perdida.
(Carlos Cachaça/Cartola).
quarta-feira, maio 11, 2005
Dito de outra forma
A aventura é irresistível. O seu canto é convincente – muitas coisas absurdas parecem convincentes quando se vive a aventura, quando se ouve o seu canto. A aventura é intensa. Intensidade é algo que se deseja. É por isso que tentamos constantemente transportar a lógica da aventura para o futuro: “sim, é para sempre”. É fácil pensar no “sempre” através da intensidade do presente. É ainda mais fácil cair na tentação de aprisionar o futuro através da sinceridade do presente. Nunca houve amante mais sincero e intenso do que Casanova. Olhar para o futuro e admitir a incerteza é difícil. Admitir que o encanto da aventura só faz sentido no presente pode ser insuportável. Aceitar o desafio de renovar o encanto da aventura a cada dia ... isto é dádiva.
terça-feira, maio 10, 2005
Sobre relacionamentos pós-modernos
Você olha, você deseja. Quer. Não quer. Quer, sim. Beija. Beijo este que, de preferência, dure "felizes para sempre". Ou não. Fica junto. Gruda mesmo. Ama muito. Ou pouco. Apaixonadamente. Aí começam as promessas. Prometa daí que eu prometo daqui. Para sempre. Para nunca. Tudo e nada, quando o nada é alguma coisa. Quer até o último dia. E o que significa último dia quando se trata do volúvel e iludível coração humano? Boa pergunta.
quinta-feira, maio 05, 2005
Generation Gap
- Mãe, tô saindo.
- Onde você vai?
- No cinema.
- Com quem?
- Com Victor Manuel Cortéz*
- Quem é esse, Melina Angélica*?
- Um cara com quem estou saindo.
- E ele faz o que?
- Ele é baterista de uma banda.
- Ai minha filha, será que dessa vez você não poderia ter arranjado alguém, assim... normal?
Baseado em fatos reais...
* Os nomes foram modificados para proteger os não tão inocentes
- Onde você vai?
- No cinema.
- Com quem?
- Com Victor Manuel Cortéz*
- Quem é esse, Melina Angélica*?
- Um cara com quem estou saindo.
- E ele faz o que?
- Ele é baterista de uma banda.
- Ai minha filha, será que dessa vez você não poderia ter arranjado alguém, assim... normal?
Baseado em fatos reais...
* Os nomes foram modificados para proteger os não tão inocentes
terça-feira, abril 26, 2005
Longe Demais: "Closer."
Duvido que vocês todas saibam da história do Leoni. Maldito Google, dei a dica, lá vão elas pesquisar. Sejam preguiçosas e leiam por aqui mesmo.
Leoni era marido (amancebado) da Paula Toller. Junto com outros, fundaram o Kid Abelha e Os Abóboras Selvagens na virada de 1982 para 83. Áureos tempos do Circo Voador, no Rio. O conjunto fez sucesso, está até hoje na estrada. Contudo, teve seu ápice ao redor do Rock in Rio de 85. A expectativa era grande, a banda e os integrantes novos, iriam tocar antes de feras consagradas e de um público enorme e exigente. Contudo, aquelas baladas bobinhas, juvenis, temperadas com a boa presença de palco da trupe, deram conta do recado. O show foi um sucesso. Não estou falando das últimas músicas do conjunto (todas absolutamente descartáveis), mas de clássicos de minha geração como "Por que não eu?"; "Alice (não escreva aquela carta)"; "Fixação"; "Como eu quero", dentre outras. O que todas estas músicas têm em comum? Leoni! Leoni é o cara!
No meio de músicas de protesto do pessoal do Planalto Central (Que País é Este? ; Até Quando Esperar; O Concreto Já Rachou), da viajante Geração Dourada do Rio (Garota Dourada; Adão e Eva no Paraíso), o Kid Abelha se destacava por músicas românticas e pegajosas. Mal comparando, tipo um Roxette. Só que melhor que o Roxette. As letras do Leoni vão direto no coração, se você estiver na fossa (ou TPM...) não tem Prozac que te quebre o galho. Leoni sempre questionava, na voz inquisitória de Paula Toller, por que o amor nunca funcionava com ele.
"Eu tenho o gesto exato, sei como devo andar
Aprendi nos filmes pra um dia usar
Um certo ar cruel de quem sabe o que quer
Tenho tudo planejado pra te impressionar
Luz de fim de tarde, meu rosto em contra-luz
Não posso compreender, não faz nenhum efeito
A minha aparição será que errei na mão
As coisas são mais fáceis na televisão
Ainda encontro a fórmula do amor... "
Afundado ainda mais em mágoas e questionamentos, ele extrapola:
"Quando ela cai no sofá, so far away
Vinho à bessa na cabeça, eu que sei
Quando ela insiste em beijar seu travesseiro eu me viro doavesso
Eu vou dizer aquelas coisas, mas na hora esqueço
Por que não eu ?
Por que não eu ?"
De fato, as mulheres pensam diferente dos homens. Leoni percebe isto e descreve de maneira sublime:
"Diz pra ficar muda faz cara de mistério
Tira essa bermuda que eu quero você sério
Tramas de sucesso mundo particular
Solos de guitarra não vão me conquistar
Hum! Eu quero você como eu quero...
O que você precisa é de um retoque total
Vou transformar o seu rascunho em arte final
Agora não tem jeito "cê" tá numa cilada
Cada um por si você por mim e mais nada"
Pronto Leoni, agora que ela te deu retoque total, qual o seu problema?
"Tantos sonhos morrem em poucas palavras.
Um bilhete curto... já não há nada.
Alice não se esqueça do nosso amor.
Será que eu tenho sempre que te lembrar.
Todo dia, toda hora?
Eu te imploro por favor!
Alice não me escreva aquela carta... de amor, oh, oh, oh
Alice não me escreva aquela carta... "
E Leoni recebeu a carta. Paula Toller ouviu os apelos de Hebert Viana em "Vamos fugir". Daí Leoni virou mito. Cantou todas as inseguranças e medos de nós, rapazes adolescentes, e viveu o maior de todos: o indelével pé na bunda. Virou herói. Herói da Resistência:
" Não vem agora com essas insinuações
Dos seus defeitos ou de algum medo normal
Será que você não é nada que eu penso?
Também se não for não me faz mal
Não me faz mal não
Noite e dia se completam no nosso amor e ódio eterno
Eu te imagino
Eu te conserto
Eu faço a cena que eu quiser
Eu tiro a roupa pra você
Minha maior ficção de amor
E eu te recriei só pro meu prazer
Só pro meu prazer..."
No fundo, todos nós procuramos o grande amor. Vez por outra, tropeçamos com ele pela vida. De tanto penar, nós, almas surradas e calejadas, custamos aceitar porque alguém nos estende a mão para uma mísera felicidade. Daí vem a pergunta feita por Jude Law em Closer: "Por que eu?".
Leoni é o cara.
Leoni era marido (amancebado) da Paula Toller. Junto com outros, fundaram o Kid Abelha e Os Abóboras Selvagens na virada de 1982 para 83. Áureos tempos do Circo Voador, no Rio. O conjunto fez sucesso, está até hoje na estrada. Contudo, teve seu ápice ao redor do Rock in Rio de 85. A expectativa era grande, a banda e os integrantes novos, iriam tocar antes de feras consagradas e de um público enorme e exigente. Contudo, aquelas baladas bobinhas, juvenis, temperadas com a boa presença de palco da trupe, deram conta do recado. O show foi um sucesso. Não estou falando das últimas músicas do conjunto (todas absolutamente descartáveis), mas de clássicos de minha geração como "Por que não eu?"; "Alice (não escreva aquela carta)"; "Fixação"; "Como eu quero", dentre outras. O que todas estas músicas têm em comum? Leoni! Leoni é o cara!
No meio de músicas de protesto do pessoal do Planalto Central (Que País é Este? ; Até Quando Esperar; O Concreto Já Rachou), da viajante Geração Dourada do Rio (Garota Dourada; Adão e Eva no Paraíso), o Kid Abelha se destacava por músicas românticas e pegajosas. Mal comparando, tipo um Roxette. Só que melhor que o Roxette. As letras do Leoni vão direto no coração, se você estiver na fossa (ou TPM...) não tem Prozac que te quebre o galho. Leoni sempre questionava, na voz inquisitória de Paula Toller, por que o amor nunca funcionava com ele.
"Eu tenho o gesto exato, sei como devo andar
Aprendi nos filmes pra um dia usar
Um certo ar cruel de quem sabe o que quer
Tenho tudo planejado pra te impressionar
Luz de fim de tarde, meu rosto em contra-luz
Não posso compreender, não faz nenhum efeito
A minha aparição será que errei na mão
As coisas são mais fáceis na televisão
Ainda encontro a fórmula do amor... "
Afundado ainda mais em mágoas e questionamentos, ele extrapola:
"Quando ela cai no sofá, so far away
Vinho à bessa na cabeça, eu que sei
Quando ela insiste em beijar seu travesseiro eu me viro doavesso
Eu vou dizer aquelas coisas, mas na hora esqueço
Por que não eu ?
Por que não eu ?"
De fato, as mulheres pensam diferente dos homens. Leoni percebe isto e descreve de maneira sublime:
"Diz pra ficar muda faz cara de mistério
Tira essa bermuda que eu quero você sério
Tramas de sucesso mundo particular
Solos de guitarra não vão me conquistar
Hum! Eu quero você como eu quero...
O que você precisa é de um retoque total
Vou transformar o seu rascunho em arte final
Agora não tem jeito "cê" tá numa cilada
Cada um por si você por mim e mais nada"
Pronto Leoni, agora que ela te deu retoque total, qual o seu problema?
"Tantos sonhos morrem em poucas palavras.
Um bilhete curto... já não há nada.
Alice não se esqueça do nosso amor.
Será que eu tenho sempre que te lembrar.
Todo dia, toda hora?
Eu te imploro por favor!
Alice não me escreva aquela carta... de amor, oh, oh, oh
Alice não me escreva aquela carta... "
E Leoni recebeu a carta. Paula Toller ouviu os apelos de Hebert Viana em "Vamos fugir". Daí Leoni virou mito. Cantou todas as inseguranças e medos de nós, rapazes adolescentes, e viveu o maior de todos: o indelével pé na bunda. Virou herói. Herói da Resistência:
" Não vem agora com essas insinuações
Dos seus defeitos ou de algum medo normal
Será que você não é nada que eu penso?
Também se não for não me faz mal
Não me faz mal não
Noite e dia se completam no nosso amor e ódio eterno
Eu te imagino
Eu te conserto
Eu faço a cena que eu quiser
Eu tiro a roupa pra você
Minha maior ficção de amor
E eu te recriei só pro meu prazer
Só pro meu prazer..."
No fundo, todos nós procuramos o grande amor. Vez por outra, tropeçamos com ele pela vida. De tanto penar, nós, almas surradas e calejadas, custamos aceitar porque alguém nos estende a mão para uma mísera felicidade. Daí vem a pergunta feita por Jude Law em Closer: "Por que eu?".
Leoni é o cara.
terça-feira, abril 19, 2005
Sobre a ausência
Ausência.
De ânimo. De tempo. Do outro.
Ausência.
De sentimento. De estranhamento. De ciúme.
Ausência.
De decepção. De paixão. De perda de controle.
Ausência... Estou ausente.
De ânimo. De tempo. Do outro.
Ausência.
De sentimento. De estranhamento. De ciúme.
Ausência.
De decepção. De paixão. De perda de controle.
Ausência... Estou ausente.
quarta-feira, abril 13, 2005
TPM de apaixonada
É fiel. Será? Seria? Não importa. Importa sim. Sabe o quê? Cansei. Não amo mais. É carinhoso. Um dia. Quase sempre. É mesmo? Não é. Ainda estou carente. Tô fora. Nada disso. Isso. Fui. É lindo. Estão olhando? Quem é aquela? Saiu com ela? Não quero saber. Ou quero? Conta, vai. É mentira. Vou embora. É músico. Podia ser coisa melhor. Sociólogo, quem sabe. Papo-cabeça é afrodisíaco? Está mais pra fonte de mal-entendidos. Sério? Não. Me arrepio toda com citações de Foucault. Se bem que não tem nada melhor que Los Hermanos cantarolado ao pé da orelha...
domingo, abril 10, 2005
Próxima atração na HBO: Melina Tpêmica
Era cansada, cansei, cansaço. Mas mais poderia ser, chorosa, chorei, choro. Passei o dia inteiro chorando. Sim eu sou uma mulherzinha. Pior! Mulherzinha em crise de TPM aguda. Meu cabelo estava oleoso, buá. Fui no médico e não tinha nada de errado com as minhas amídalas, buá buá. Também chorei porque o Bruce Willis resgatava refugiados africanos e metade dos seus homens morria na missão. "Não deixe que a minha morte seja em vão! Salve os refugi-cof cof-ados" e plof, morria. E eu chorava. Daí em outro filme era a vez de uma velhinha ir pro beleléu. Choradeira. Tá, vou mudar de canal. O príncipe Charles e a Camilla se casaram, ou como dizia na cobertura da TV espanhola, Carlos e Camila. Snif, snif. Coitados! Tiveram que esperar tanto tempo. O que? 35 anos? Mas também, com esse penacho horrível na cabeça... E lá eu com a Camila e o Carlos? Ah não! Agora foi o irmão do marido da velhinha que morreeeeeeu! Melhor assistir o DVD que eu peguei, Antes do Pôr do Sol. Não que eu esperasse que fosse muito feliz, talvez quisesse, inconscientemente chorar mais. E chorei. Muito mais. Primeiro porque o Jesse e a Celine se reencontraram depois de 9 anos. Depois porque ela chorou. De repente estava chorando e nem sabia mais o motivo, chorava por chorar. Talvez o choro fosse pelo fato de que eu me sentia mau amada. Sozinha. Talvez fosse pelo fato de que eu provavelmente nunca seria “aquela que escapou” de ninguém. Nem nunca ficaria casada por 57 anos. Nunca seria a pessoa mais importante na vida de ninguém. Seria uma daquelas velhas loucas, solteiras, que nunca casou e que agora vive somente na companhia de 62 gatos. Claro que esqueci que odeio gatos, ainda mais 62. E claro que era melodrama, daqueles bem baratos.
"The concept is absurd. The idea that we can only be complete with another person is evil! Right?" (Celine, em Antes do Pôr do Sol)
"O conceito é absurdo. A idéia de que somente podemos ser completos com outra pessoa é má. Certo?"
"The concept is absurd. The idea that we can only be complete with another person is evil! Right?" (Celine, em Antes do Pôr do Sol)
"O conceito é absurdo. A idéia de que somente podemos ser completos com outra pessoa é má. Certo?"
quarta-feira, abril 06, 2005
Untitled
Cansada. Cansei. Cansaço. Não sei do quê, de quem, nem perguntarei por que. Cansei de querer o que não sei. Cansei. Cansei de escrever coisas estúpidas. Cansei de esperar por ti, que nunca vem, mais ainda cansei de não esperar por ti para ver se você vem. E você não vem. Você nunca vem. E eu aqui, não te esperando. Tentando levar a minha vida. Tentado ouvir palavras vazias. Tentando me enganar. E nada de você ainda. Nada. Muito se diz sobre auto-suficiência, porra. E quando você chegar? Quando você chegar te deixarei escapar. Não saberei que você era quem eu esperava. Estarei cega de tanta espera. Espera. Espera. Ops! Não-espera. Não-espera. Afinal, não estou esperando por você. Quem sabe assim você vem. Nunca ninguém espera, não é isso que dizem por aí? Não-espera. Não-espera. Não-espera. E cansaço. Cansei. Cansada.
segunda-feira, abril 04, 2005
Da Dedicatória Que Já Deveria Ter Sido Escrita.
Sentimos falta de vocês dois. O ano virou, a vida engrenou, mas recuso-me a citar John Lennon quando este falou "the dream is over". No memóravel 2004, nossas quatro vidas se cruzaram. Celebramos muito por isto. Passamos momentos felizes, onde nos beijamos, abraçamos, dançamos e choramos. Alopramos.
Para o meu irmão caçula: sinto sua falta. Das suas elocubrações, dos seus medos, do seu equilíbrio, da sua serenidade. Sinto falta de discutirmos se Jean Valejan foi FDP ou não roubando a prataria. Sinto falta de começarmos a discutir o seu projeto de doutorado e terminarmos perguntando porque todos aqui falam "fábrica da Audi" e não "fábrica da VW" (A VW é dona da Audi). Sinto falta do tratado que nunca foi escrito, "Da ignorância como forma de legitimação". Ou "Da relação entre o pingue-pongue e a manutenção de um estado stalinista na República Popular de China".
Para a por ele venerada: sinto sua falta. O mundo desaba, mas você o olha do mesmo jeito, entediada. Para que desabar e mudar tanto, se no fundo os objetivos permanecem? Nunca mais plantamos bananeiras. Nunca mais teorizamos sobre o maldito curativo no cangote de Marcellus Wallace e a sua possível relação com a maleta que Julius e Vince foram tomar do Brett.
Eu e a Doutora continuamos levando nossas vidas, que apesar de muito trabalho, tentamos levar dentro da normalidade. Não a normalidade utópica e intensa do final do ano passado. Esperamos que as rotinas se acomodem, a vida acalme e tornemos a, todos juntos, celebrarmos. Não estamos tristes ou preocupados. O que são uns meses diante de toda a vida de companheirismo que nos espera? Mas não podemos negar que, enquanto isto, gostaríamos de vocês por perto.
Beijos nos dois.
PS: LETi, sei que quebrei a única regra do blog. Não foi intencional. Foi de coração e de momento.
Para o meu irmão caçula: sinto sua falta. Das suas elocubrações, dos seus medos, do seu equilíbrio, da sua serenidade. Sinto falta de discutirmos se Jean Valejan foi FDP ou não roubando a prataria. Sinto falta de começarmos a discutir o seu projeto de doutorado e terminarmos perguntando porque todos aqui falam "fábrica da Audi" e não "fábrica da VW" (A VW é dona da Audi). Sinto falta do tratado que nunca foi escrito, "Da ignorância como forma de legitimação". Ou "Da relação entre o pingue-pongue e a manutenção de um estado stalinista na República Popular de China".
Para a por ele venerada: sinto sua falta. O mundo desaba, mas você o olha do mesmo jeito, entediada. Para que desabar e mudar tanto, se no fundo os objetivos permanecem? Nunca mais plantamos bananeiras. Nunca mais teorizamos sobre o maldito curativo no cangote de Marcellus Wallace e a sua possível relação com a maleta que Julius e Vince foram tomar do Brett.
Eu e a Doutora continuamos levando nossas vidas, que apesar de muito trabalho, tentamos levar dentro da normalidade. Não a normalidade utópica e intensa do final do ano passado. Esperamos que as rotinas se acomodem, a vida acalme e tornemos a, todos juntos, celebrarmos. Não estamos tristes ou preocupados. O que são uns meses diante de toda a vida de companheirismo que nos espera? Mas não podemos negar que, enquanto isto, gostaríamos de vocês por perto.
Beijos nos dois.
PS: LETi, sei que quebrei a única regra do blog. Não foi intencional. Foi de coração e de momento.
quarta-feira, março 30, 2005
Sobre formigas e ácaros
O negócio começou cedo. De um lado a formiga, cansada e mau-humorada. De outro, o ácaro, feliz da vida a cantarolar. Ela vinha de semanas de tensão, muita dor-de-cotovelo, muitas palavras não-ditas (e malditas), muito rock’n’roll, muita bebida, muito descompromisso, enfim, perdida na vida. Mal sabia de sua condição de himenóptera. Uma total amnésia existencial. Foi quando deu de cara com o ácaro. Ele a chamou de formiga, emendando um glorioso 'bom dia'. Aquilo lhe parecia ultrajante. Como se atrevia o ácaro?? Ela logo o chamou de agente patológico, de aracnídeo mal-resolvido. Ele riu-se inteiro. Gostou dela. Ela, mesmo o achando insuportável, acabou por se render, depois de muitos esforços acarofílicos para combater aquela acarofobia toda, aos seus galanteios. Mas deixava bem claro: 'ele é apenas meu fuck buddy, ouviu?!'. O tempo passou. A formiga, encantada com a acarodomácia que produzia a acarofilia entre eles, em seu leito verdejante, passou a corar quando lhe perguntavam sobre o ácaro. Pois bem, meus caros, não há outra verdade, embora a formiga não queira admitir. Ela está mesmo apaixonada!!!
domingo, março 27, 2005
As mãos
Encontravam-se os dois ali, deitados, nus, de mãos dadas. Despertou, após um breve instante de inconsciência, para perceber que já não mais sentia a mão dele na sua. Não que ele tivesse ido embora, estava ali, onde esteve o tempo todo, com sua mão na dela. A sensação havia se tornado tão confortável, familiar, que era como se a mão dele fosse parte da sua. Sorriu e, como que comprovar para si mesma a sua certeza, espreguiçou os dedos, o que perturbou o sono da pessoa com a mão na sua. Alguém, ao vislumbrar tal cena, de certo diria "Quanta afinidade!", ao passo que ela de pronto responderia "Que nada". Agora não tinha mais certeza, a não ser que sua mão estava coberta por outra. - Que coisa! Nunca sabia ao certo, sempre andava sobre ovos. Não podia se recordar de uma única relação em que a natureza desta estivesse clara. "Tá bem, tá bem, uma ou outra ainda vai". Estava angustiada. Não sabia se fazia, queria ou poderia reverter o quadro, só pra não variar um pouco. Perguntava-se se um dia saberia.
quinta-feira, março 24, 2005
Da dedicatória que não foi escrita
É desconhecida posto que separada, isolada. Solitária, está para os olhos como representação do inatingível. Ilhota? Talvez. Mas o isolamento que ostenta é apenas aquele que reflete. Guarda o canto das sereias, que sonhamos. Guarda o calvário de Ulisses, que tememos. É distante o suficiente para abrigar tudo o que sonhamos e tememos. A Ilha Desconhecida.
Sobre o seu conteúdo parece ser impossível projetar uma forma. Repousa no horizonte, intimida e incita. Cobra uma viagem que oferece – sem garantias – a plenitude, impõe o risco e nos obriga a tratar com descaso o que até então foi fatalidade. O seu acesso dispõe de caminhos variados. Todos eles impõem escolhas e ignoram o acaso.
A sua procura já foi palco para as viagens mais fascinantes. Navegadores que, deixando o solo conhecido e seguro para trás, fizeram suas velas ao mar. Todos salgaram as águas com suas lágrimas. Todos transformaram o sonho em caminho, o caminho em vida e o simples existir em desejado eternizar.
Conheço pouco a respeito dos mares ou da arte da navegação. Sobre a Ilha Desconhecida, sei apenas aquilo que o meu desejo permite. Ainda assim, bati à porta de um rei e pedi uma embarcação. Sincero e firme, o meu desejo sustentou o pedido. A embarcação foi concedida. Comecei os preparativos para a viagem. Eis que ela se inicia. Sinto o calor de um sol opressivo e a brisa refrescante. Contemplo a escuridão da noite e a luz orientadora das estrelas. Ao meu lado, tenho a cumplicidade e a reciprocidade da pessoa que desejou a mesma viagem. Com ela, o caminho é constante aprendizado e a vida é pura dádiva.
Sobre o seu conteúdo parece ser impossível projetar uma forma. Repousa no horizonte, intimida e incita. Cobra uma viagem que oferece – sem garantias – a plenitude, impõe o risco e nos obriga a tratar com descaso o que até então foi fatalidade. O seu acesso dispõe de caminhos variados. Todos eles impõem escolhas e ignoram o acaso.
A sua procura já foi palco para as viagens mais fascinantes. Navegadores que, deixando o solo conhecido e seguro para trás, fizeram suas velas ao mar. Todos salgaram as águas com suas lágrimas. Todos transformaram o sonho em caminho, o caminho em vida e o simples existir em desejado eternizar.
Conheço pouco a respeito dos mares ou da arte da navegação. Sobre a Ilha Desconhecida, sei apenas aquilo que o meu desejo permite. Ainda assim, bati à porta de um rei e pedi uma embarcação. Sincero e firme, o meu desejo sustentou o pedido. A embarcação foi concedida. Comecei os preparativos para a viagem. Eis que ela se inicia. Sinto o calor de um sol opressivo e a brisa refrescante. Contemplo a escuridão da noite e a luz orientadora das estrelas. Ao meu lado, tenho a cumplicidade e a reciprocidade da pessoa que desejou a mesma viagem. Com ela, o caminho é constante aprendizado e a vida é pura dádiva.
terça-feira, março 22, 2005
Sobre Liberdade e Libertinagem.
Ziraldo é um famoso cartunista brasileiro. Ícone de uma geração, catequizada pelo Pasquim, entre uma truculência e outra dos generais de plantão da ditadura. De tanto apanhar do regime ceifador da liberdade, Ziraldo parou de falar de política e passou a falar de sexo. Ficou célebre uma entrevista sua, à revista Playboy em 1980, quando declarou que nunca, nunquinha, havia broxado. Um quarto de século depois, mais coroa ainda, ele mantém a afirmativa. Um fenômeno. Tal declaração ainda hoje frequenta as rodas de boteco dos amigos. Quando alguém conta uma vantagem muito grande, superfaturando os dados da colheita da noite anterior, recebe logo os apupos: "Vai lá, grande Ziraldo!!" Relendo a entrevista muito tempo depois (mulheres, era a edição que trazia a musa Denise Dumont, vale a pena guardar até hoje), há uma série de declarações profundas, que passaram despercebidas injustamente. A que mais me toca, ainda hoje, é a seguinte: "As mulheres estão saindo para o revide, na base do 'vou te comer também'. Pô, se tudo mundo partir pra base do simplesmente dar e comer, vai ser uma merda, onde fica o amor no meio disso tudo?"
Perspectiva histórica: era o verão de 1980. Topless. Geração Dourada no Rio. TV Mulher. Marta Suplicy. Simone e Ísis de Oliveira. Desbunde generalizado. Finalmente, aqui no Brasil, ecoavam os bons ventos da liberação sexual. Mulher, agora, não simplesmente dava, mas opinava e, porque não dizer, estava começando a comer também. Como anarquista e humanista, acho isso o máximo. Sem querer fazer média. Mas o grande Ziraldo, de pé (sem trocadilho), ainda braveja: "Porra, e o amor?"
Em todas as revoluções avançamos. Mas é um jogo, basicamente, de ganhos e perdas. Mulheres, vocês ganharam em uma década coisa que milênios não conseguiram lhes dar. Faltam coisas ainda. Mas o salto foi enorme. Nós, homens, ganhamos também. Relações mais igualitárias, onde o ônus financeiro e, principalmente, emocional, passa a ser um fardo dividido em duas costas. Mas perdemos algo. Hoje em dia, são vários os receios no início de uma relação. É um verdadeiro vale tudo emocional. Toma lá, dá cá. As pessoas, de ambos os lados, não mais se entregam. Dão a mão, mas já entram de sola na canela. Dão um beijo, mas à la Sharon Stone, com um picador de gelo na mão cerrada nas costas.
Utopia. Já pensou um mundo com todas estas conquistas, mas com espíritos desarmados? Já pensou que máximo, ser escolhido por uma mulher, ser conquistado e envolvido por ela, "sem medo de ser feliz"? Quem sabe não está na hora de passarmos para a próxima fase desta revolução? A do amor baseado na autoconfiança e confiança mútua?
Tenho vivido os últimos 3 meses e meio desta maneira. Não tenho do que me queixar.
Beijos a todas.
PS: Tore, na verdade, é _Ne_. Vou assinar com o nickname carinhosamente dado pela irmã de uma das donas deste espaço.
Perspectiva histórica: era o verão de 1980. Topless. Geração Dourada no Rio. TV Mulher. Marta Suplicy. Simone e Ísis de Oliveira. Desbunde generalizado. Finalmente, aqui no Brasil, ecoavam os bons ventos da liberação sexual. Mulher, agora, não simplesmente dava, mas opinava e, porque não dizer, estava começando a comer também. Como anarquista e humanista, acho isso o máximo. Sem querer fazer média. Mas o grande Ziraldo, de pé (sem trocadilho), ainda braveja: "Porra, e o amor?"
Em todas as revoluções avançamos. Mas é um jogo, basicamente, de ganhos e perdas. Mulheres, vocês ganharam em uma década coisa que milênios não conseguiram lhes dar. Faltam coisas ainda. Mas o salto foi enorme. Nós, homens, ganhamos também. Relações mais igualitárias, onde o ônus financeiro e, principalmente, emocional, passa a ser um fardo dividido em duas costas. Mas perdemos algo. Hoje em dia, são vários os receios no início de uma relação. É um verdadeiro vale tudo emocional. Toma lá, dá cá. As pessoas, de ambos os lados, não mais se entregam. Dão a mão, mas já entram de sola na canela. Dão um beijo, mas à la Sharon Stone, com um picador de gelo na mão cerrada nas costas.
Utopia. Já pensou um mundo com todas estas conquistas, mas com espíritos desarmados? Já pensou que máximo, ser escolhido por uma mulher, ser conquistado e envolvido por ela, "sem medo de ser feliz"? Quem sabe não está na hora de passarmos para a próxima fase desta revolução? A do amor baseado na autoconfiança e confiança mútua?
Tenho vivido os últimos 3 meses e meio desta maneira. Não tenho do que me queixar.
Beijos a todas.
PS: Tore, na verdade, é _Ne_. Vou assinar com o nickname carinhosamente dado pela irmã de uma das donas deste espaço.
quarta-feira, março 16, 2005
A Cebola e a Cenoura
Há um ano atrás, estávamos tentando nos encontrar. Lost cause, O Verdadeiro Você, Fases de toda mulher nossa de cada dia, Antes só do que mal acompanhada, Dicionário, e muito This hurt will hurt no more. Paixão, desilusão, dor-de-cotovelo, esperança, esquecimento, carência, piranhice, nova paixão. Muitas foram as percepções da realidade, mas o mote era invariavelmente o mesmo. Mudaram alguns personagens, vieram mais amigos, e os comentários nos enchem a alma. Os posts da _Me_ sempre incompreendidos. As minhas pseudo-poesias que talvez digam alguma coisa qualquer. As palavras sentimentalíssimas da *Star. Um ano depois, quais são os resultados? Mais TPM, mais dor-de-cotovelo e ainda mais palavras cósmicas e despretensiosas... Só que desta vez, as coisas estão diferentes. Nos encontramos nas palavras. Eu. Você. Todos. Algumas de nós encontraram a paz. Outras procuram livrar-se dela. Há até quem ainda não encontrou nada, mas continua procurando. E, como o Cebola precisava de um alter ego, algo que trouxesse uma visão do outro lado do espelho, convidamos dois queridos amigos para fazerem parte deste universo do palavrório sentimental. Com vocês, a partir de hoje, o _Ne_ e o **Leleu**. A nossa parte masculina. O outro eu do Cebola: a Cenoura. Eles já escrevem seus próprios blogs, e agora vão desvendar e compartilhar conosco suas neuras, preocupações, alegrias, bobagens, medos, convicções, opiniões, dúvidas, enfim, tudo o que está sob o invólucro de um ser masculino, tão misterioso e incompreensível para nós, mulheres. Sejam bem-vindos, Nê e Leleu!!!
domingo, março 13, 2005
Meio-termo
Meio-termo, meio-termo, meio-termo.
Será que se eu repetir diversas vezes eu entendo?
Meio-termo, meio-termo, meio-termo...
Será que se eu repetir diversas vezes eu entendo?
Meio-termo, meio-termo, meio-termo...
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