Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Da recalcada vindita

Às vezes queria sentar-lhe bofetões na cara, para liberar as mágoas que ainda guardava. Queria lhe fazer perguntas cretinas, melindrá-lo, bramir-lhe alguns impropérios. Fazer com que a lamúria estulta desaparecesse. E depois disso, iria deixá-lo. Isso não é hilário? Ora, cruzes, amava-o loucamente! Pois bem, de fato: o amor é um contentamento descontente.

Domingo, Setembro 13, 2009

Sobre formigas e ácaros

O negócio começou cedo. De um lado a formiga, cansada e mau-humorada. De outro, o ácaro, feliz da vida a cantarolar. Ela vinha de semanas de tensão, muitas palavras não-ditas (e malditas), muito rock’n’roll, muita bebida, muito descompromisso, enfim, perdida na vida. Mal sabia de sua condição de himenóptera. Uma total amnésia existencial. Foi quando deu de cara com o ácaro. Ele a chamou de formiga, emendando um glorioso 'bom dia'. Aquilo lhe parecia ultrajante. Como se atrevia o ácaro?? Ela logo o chamou de agente patológico, de aracnídeo mal-resolvido. Ele riu-se inteiro. Gostou dela. Ela, mesmo o achando insuportável, acabou por se render, depois de muitos esforços acarofílicos para combater aquela acarofobia toda. Mas ela deixava bem claro: 'ele é apenas meu fuck buddy, ouviu?!'. O tempo passou. A formiga, encantada com a acarodomácia que produzia a acarofilia entre eles, em seu leito verdejante, passou a corar quando lhe perguntavam sobre o ácaro. Pois bem, meus caros, não há outra verdade, embora a formiga não queira admitir: ela está mesmo apaixonada!!!

Sábado, Setembro 05, 2009

Crise crônica insolúvel. Ou não. (como diria Caetano)

Querer explodir. Ficar na cama por horas, de maneira insípida. Sentir fome e ao mesmo tempo desejar não comer nada. Ser indiferente à própria aparência. Querer fazer e não achar fôlego, tampouco força. Lutar com a realidade. Esforçar-se para acordar. Sentir-se cansada depois de doze horas de sono. Querer escutar Bon Jovi. (Acredita?) Estar com tudo e achar que está sem nada. Ter a sensação de que nada faz sentido. Pensar que você pode ter perdido a graça. Dar risada e chorar em compassos de meio minuto. Desejar gritar quando de sua boca só saem grunhidos. Não entender bulhufas do que se passa com você mesmo. Normal. De repente, tomar sorvete. De chocolate. Com muita farofa de castanha de caju, leite condensado e tubetes. A cura de uma TPM é tão misteriosa quanto a própria existência.

Terça-feira, Setembro 01, 2009

O destino do Amor ou "Live and let Die"

O amor, sempre o amor. Transformam-no em cantigas, orações, palavras vazias ou ardentes declarações. Muitos proclamaram seu amor incondicional. Vários guardaram-no a sete chaves, no fundo do coração. Certo é apenas que o amor não escolhe, e, definitivamente, é cego. O segredo do amor, na verdade, é que não há segredos: o essencial, além de invisível aos olhos, é totalmente desprovido de lógica. O amor, portanto, não é racional, apesar de volta e meia submetermos ele a um escrutínio excessivo, na ânsia por entender o que se passa dentro da gente ou do outro. Não seria melhor apenas curtir o amor, sem martirizá-lo com tantos questionamentos para os quais não há resposta? Não seria o amor algo que surge apenas para deixarmos existir? Algo para deixarmos em nosso coração, como um livro aberto? Algo que mostra a beleza da nossa alma, sem restrições? Não se sabe, por causa do medo. Medo de coração quebrado. Medo da entrega. Medo do próprio medo. E das palavras que nos comprometem...

Quarta-feira, Julho 15, 2009

A insanidade e a crença platônica na indiferença

Ela anda suspirando pelos cantos. Não consegue mais disfarçar seu olhar vago. Em segredo, ela vê durante todos os minutos do dia uma cena que deseja, ardentemente, que aconteça. A cena em que ele, finalmente, olha para ela. Uma vez que fosse, bastaria. Já tentou de tudo, menos aproximar-se dele. Anda fazendo maluquices. Segue-o por todos os cantos, sugando-o com os olhos. Investiga-o por inteiro. O tom de voz, as cores da roupa, as amizades, os gostos. Não o conhece, mas já sabe de todos os seus segredos. Ultimamente, ela passou a apelar. Furou os pneus do carro dele ontem de manhã. Só para vê-lo em agonia. À tarde, deu umas riscadelas na lataria. Só para vê-lo em tormento. Hoje deu um jeito de quebrar um dos vidros. Adentrou o carro como se estivesse em um parque de diversões. O alarme ensurdecedor. Em um gesto suave e calmo, gargalhou ao colocar a mão embaixo do banco. Os CDs terminaram riscados, quebrados e espalhados. Satisfeita, pôs-se a esperar atrás de algumas árvores. Só para vê-lo com raiva e revolta. Enquanto esperava, sentia uma aflição quase incontrolável. Era como se tivesse feito tudo aquilo com o próprio rosto dele. Com sua identidade. Com sua indiferença. Foi então que aconteceu. O dono do carro, confuso, chegou. Olhou para ela no canto e perguntou-lhe se tinha visto alguma coisa. Ela gaguejou ao dizer que havia acabado de chegar. Foi quando caiu em si. Não era quem esperava que fosse. Na verdade, não sabia o motivo daquelas provocações ou quem pretendia atingir. Não sabia o porquê de estar ali. Não sabia sequer como tudo aquilo havia começado. Perdida em sua própria mente, fechou-se em perguntas para as quais não havia resposta. Apenas desespero. E dor. Muita dor.

Quinta-feira, Junho 11, 2009

Trocadilho

Estou escrevendo
para dizer-lhe uma coisa:
Nunca te amei.

Odeio você. Odeio os dias.
Odeio os pássaros, as palavras de amor.
Odeio as pessoas que andam abraçadas.
Odeio as lembranças. Odeio o nada.

Queria falar que você é passado.
Um espectro, um vento, um algo vazio.
Mas meu coração que hoje anda sombrio
ficou cego de amor, e ainda mais arredio.

Amo-te como o inverno odeia a primavera
que as árvores tão belas, insistem em presentear:
verde, flores e tudo o mais.

Amo-te como o verão odeia o frio,
como o pássaro odeia a tempestade,
e a mentira odeia a verdade.

Agora não amo mais.
Amo que te odeio.
Odeio que um dia posso te amar.

De tudo então restam-me as palavras,
únicas cúmplices e coniventes
do fato absurdo que ora se lê:
amarodeio odiamar você.

Terça-feira, Maio 05, 2009

Cinderela, adolescência anos 90 e a anatomia da tristeza

Anda chorando em segredo. Por fora sua aparência engana, sustenta-se firme e com ar indiferente. Por dentro desmorona. Sente uma angústia que vai do estômago em direção à garganta, que derrete as células com um gás ácido e insalubre. Deseja gritar. Não quer enxergar aquilo que está a sua volta. Cria teorias em sua mente sobre a fonte de sua tristeza angustiante e passional. Tem a sensação clara de que o amor lhe escapa entre os dedos, que os dias parecem não querer continuar para sempre ensolarados. Quer encontrar a razão desse desespero. Busca-a fora de si. Deve haver outra. Ou outras. Serão mais bonitas? Mais agradáveis? Sente ira e tristeza. Profunda tristeza. Um buraco que carrega desde a sua tenra infância. Uma ferida que parece não querer cicatrizar. Uma dor que a persegue, que afasta seus sonhos e apodrece seus ideais. Sua respiração é quase inexistente. Tem um nó na garganta. Sente dores no baixo ventre. A umidade lhe magoa. O frio piora suas sensações. Agora já entende algumas coisas que antes lhe eram obscuras. Vem de uma geração que precisou recuperar a melancolia para ter a certeza de que está vivendo alguma coisa que pode se chamar de autêntica. Mas esse final sorumbático não é o que almeja. Longe disso. Essa atitude taciturna esconde um romantismo sem precedentes. Um romantismo de doer os ossos. Crê piamente que o amor é a origem de toda a felicidade. E perdida na busca de si mesmo, esconde-se no mito que mais deixou marcas em sua alma: o da gata borralheira. Em seu silêncio sofrido, do alto de sua torre, espera ansiosamente que seu príncipe encantado vá resgatá-la das garras de uma bruxa malvada.

Quinta-feira, Outubro 23, 2008

Mil pedacinhos

Ela ouviu as palavras. Martelavam na sua cabeça. Por quê? Incompreensível. Ela não conseguia achar motivos razoáveis. Não parecia lógico. Não se encaixava. Não parecia ser ela. Não era ela. Mas era. E aconteceu. E a destruiu. Aquela velha história. Corações que se quebram. A tempestade veio e o dilúvio tomou conta. Palavras desconexas hermeticamente guardadas insistiam em sair. Duelo. Náuseas. Choro. Falecimento. Trégua. Calmaria. Tristeza. Apenas tristeza. Tristeza profunda. Levantou e saiu pela porta. Foi para casa. Escovou os dentes. Pegou um livro. Deitou as páginas em seu colo. Respirou fundo e olhou bem à sua volta. Colocou o pijama. Apagou a luz. Deitou-se na cama. Estava viva, mas se sentia morta na maior parte do tempo. Seu coração de fato estava destruído. Tentava apenas dizer a si mesma que tudo ficaria bem. Talvez agora não devesse pensar em mais nada. Fechou os olhos e dormiu. Às vezes a chuva pode ser amarga.

Segunda-feira, Setembro 29, 2008

Sobre como voar

Estava sentada no banco da praça, sob o céu estrelado, olhando para o nada. Não estava ali. Viajava por lugares desconhecidos, por mistérios a desvendar, por sonhos a serem realizados. Notava que sua vida parecia vir de um roteiro de filme inacabado. Cada segundo parecia ter um impacto relevante para determinar o caminho a ser seguido. Pensava em surpresas, em cenas infinitas, em desejos implícitos, em diálogos estimulantes. Sentia-se como a película marcada pela luz, que revela paisagens indescritíveis, que provoca sensações impensáveis, que imprime na efêmera existência humana as mais doces memórias. O silêncio se quebrou. Logo ali, um punhado de pássaros barulhentos, disputando o último farelo de pão. O vôo insólito havia terminado. De pronto, soube. Voar é um estado de espírito. Envolveu-se de uma serenidade admirável. Sorriu. A segunda estrela à direita insistia em brilhar mais forte. Naquela noite, decidiu perseguir o brilho incessante até o amanhecer.

Terça-feira, Setembro 02, 2008

Contradição inquisitória

As perguntas às vezes são muitas, mas se calam no íntimo. Insípidas, querem explorar algo dormente. Aquilo que permanece incógnito no vazio pretérito. Querem saber o porquê de algumas coisas incompreensíveis. Ou talvez de uma específica. Daquele dia. Ou talvez por que ele falou que nunca mais iria procurá-la. Querem saber ainda mais. Se ele gostaria de perguntar também. Se o silêncio dela significa indiferença. Se algumas palavras são ditas dissimuladas em mágoa. As perguntas insistentes são diversas, mas todas elas sem importância aparente. Guardam um quê de curiosidade masoquista. Estão ligadas à incerteza de apostar alto em algo que se acredita. E no medo pavoroso de que isto se desmorone. São interrogações que tornam frágeis os laços de cumplicidade. Almejam serem satisfeitas, porém temem a tormenta que podem provocar. Aguardam inquietas por serem insignificantes. Tentam destruir a beleza do que é. Mas que, comparadas a isto, desfalecem. O brilho da viagem as obscurece. O pensamento se alegra da vertigem e todas as perguntas perguntam-se: afinal, por que ainda estamos vivas?

Sexta-feira, Agosto 22, 2008

Peace of mind – don’t assign me yours

A cabeça dá voltas. O tempo pára, de maneira retrógrada. Você custa a acreditar. Você não quer acreditar. Exatos dois meses atrás a vida virava de pernas para o ar. Maravilhosa e intensamente. No instante em que se fez exatos dois meses tudo ruía. O sonho de um abraço tornou-se um beijo gelado em uma boca qualquer. Os olhos olharam retinas estranhas. A pele sentiu o calor alheio. Não há porquês razoáveis. Há apenas o egoísmo. Falta de consciência. Falta de respeito por algo que se dizia sublime. E o símbolo daquilo estampado no peito. Contudo, esqueceu-se. Você sabia que algo assim aconteceria. Mesmo assim, você foi. Indo, encontrou amigos. Você foi avisado do que seria um erro. Mesmo assim, insistiu. Fez. Você pensou nisto no outro dia. Silenciou. Preferiu não se abrir. Preferiu que outras vozes dissessem. Você foi covarde. Você optou pela irracionalidade quando precisava pôr os pés no chão. Você pirou. Enfureceu-se. Fez besteira. Ao menor sinal de sofrimento. Isso significa uma coisa ou outra. Mas significa também que você optou pelo não-sentimento. Sim, você foi covarde. Você não quis enfrentar os fantasmas. Quis extravasar. Só que acabou rachando o cristal precioso. Agora está ali, estático. Nada faz. Permanece na inércia. Se o que sente é sublime, não sei do que chamar a desesperança. E os minutos da vida passam por aí. E, como diria Nietzsche, abençoados os que esquecem, porque aproveitam até mesmo seus equívocos.


"Too many guys think I'm a concept, or I complete them, or I'm gonna make them alive. But I'm just a fucked-up girl who's looking for my own peace of mind; don't assign me yours." (Clementine In Eternal Sunshine of the spotless mind)

Terça-feira, Fevereiro 12, 2008

Medos doeM

Destilei minha indiferença por você nos arredores da selva de concreto. Os ares passaram, as nuvens vieram, mas a chuva com medo nem caiu. As flores, contudo, ficaram mais vivas e me falaram de seu anseio secreto: seu coração é triste, carente, solitário, e tem medo de ficar vazio. Você me avisou, me disse que não confiasse em você. Mas eu disse que confiava, que achava que podia você merecer. E a verdade que cala é que seu coração é de pedra, tão frágil quanto a pétala. As flores são belas, o inverno é quente, a chuva é doce, o vento é quietação. Você corre em busca da felicidade aonde ela menos lhe espera. Seu semblante é a máscara, seu amor é oculto, e seu medo é prisão. Os medos, amor, às vezes são imperceptíveis, às vezes doem amanhã. Mas ser escravo do medo dura para sempre. Daqui vejo as dores desalmadas, ininterruptas. Mas vejo você, vejo os beijos, vejo os braços e abraços. Vejo os olhares perdidos, vejo as palavras não ditas. Vejo também outras coisas que me são incompreensíveis...

Terça-feira, Dezembro 11, 2007

_Me_ - A Ressureiçao ou ainda Bad carma é foda

Ok meu amores. Aqui estou! Morrendo de sono, claro. Como sempre. Algumas coisas nunca mudam. Mas outras sim. Nem que seja no sentido físico da palavra. Então. Me mudei. Grande coisa, notícia velha. Mas como faz uns dois anos que não escrevo aqui, devo informar aos que não foram ainda informados, que agora moro na Itália. Mais precisamente em Milão.

E essa semana foi de incursões no submundo vip milanês (esses dois vao ser os ultimos acentos que eu vou por, porque ir no google achar palavras com acento pra dai colar aqui é muito cansativo - exceto o e com acento que ja vem com acento no teclado daqui pq existe em italiano também). E eu definitivamente estou ficando - se ja nao estou - velha demais pra isso.

Sexta passada resolvi sair com uma bicha, mas bicha mesmo, até o ultimo fio de cabelo loiro tingido e, meio contrariada, fui parar na zona das baladas dos ricos e famosos de Milao. Chegando la eu percebi um cara escondido atras de uma arvore, com uma camera com aquelas lentes looongas. Achei estranho. Cheguei a achar que ele estava me fotografando. Louca, por certo. Eu nao percebi que o cara escondido-na-arvore-com-a-lente-longa era na verdade um paparazzo! E claro que nao tinha um papparazzo no meu encalço...

A luz so veio no momento em que eu vi um dos principes de Monaco, que eu tinha conhecido uma semana antes, porque - preparem-se, frase do tipo tia da prima da amiga da minha prima a caminho - uma amiga minha esta de namorico com um alemao que estuda com ele e, fofoca, nos contou que o menino ja pegou umas 500 dependencias na faculdade porque chega todo dia cheirado. Com efeito, ele tem cara de marginal e nao de principe. Bem, assim que o principe/marginal estava passando por mim, o paparazzo sai correndo de tras da arvore e vai colocando a lente na cara do menino, que a esta altura ja tinha claramente percebido que aquilo nao era so uma arvore, mas sim uma arvore + cara + camera + lentes longas. O principe corre e se refugia em um bar. De cheirados famosos, claro.

Depois dessa cena bizarra entramos num bar mais bizarro ainda. O barman, mais cheirado que o principe, dançava, nao servia. Nao tinha pista de dança, mas todo mundo nao parava quieto. E no meio disso tudo tinha a bicha loira que estava comigo e que nao parava de pedir bebida e pagar por elas. Ai é como se diz, bebida de graça é dificil de recusar e eu fui bebendo. Aparentemente até cair, porque no dia seguinte eu acordei sem poder colocar o pé esquerdo no chao. Sabe aquele osso da joanete? Entao, tava doendo demais. Fiquei com medo de ter quebrado e pior, nao tenho a minima idéia do que aconteceu. Alias, ta doendo até hoje. E eu ainda nao lembro o que aconteceu.

Passei mal o resto do final de semana e ontem uma aluna minha me puxou no canto. Ela trabalha pra uma revista e sempre tem convites para coisas. E pelo jeito poucos amigos. Ela me convidou para uma festa, e depois de uma pausa dramatica nao longa o suficiente para dar tempo de eu recusar, me disse que eu nao podia dizer para ninguem sobre a festa pq era uma festa privada, com poucos convidados e que - outra pausa dramatica, mas dessa vez menor - ia ter uma surpresa. Eu tava cansada, nem queria ir em festa, mas eu fiquei curiosa, né? Pouco tempo depois ela me mandou uma mensagem no celular com o nome e endereço do lugar onde ia ser a tal festa e depois de uma pesquisa na internet eu descobri que ia ser num antigo tunel da estaçao central de trem. Foi ficando bom o negocio. Ai fui pra festa, me arrastando, mas fui.

Chegando la, depois de ter quase sido estuprada e atropelada no caminho - estaçoes centrais sao estaçoes centrais em qualquer lugar do mundo - descobri que era a festa de aniversario do filho do dono da Diesel e que o menino gostava muito de uma banda, entao eles tinham conseguido fazer com que a banda tocasse como presente de aniversario.

Ai eu continuei me arrastando, mas ja me empolguei mais. E a curiosidade piorou, pq a aluna nao me contava qual banda era. Ai a minha imaginaçao foi longe, pensei em varias bandas e em todo e qualquer devaneio que eu tive na hora foram com bandas que eu conhecia. No momento da empolgacao nao passou pela minha cabeça que eu poderia nao conhecer a banda misteriosa... Ai entramos e depois de esperar uma hora no meio de modelos altas e modelos lindos, mas todos inexoravelmente incapazes de conversas inteligentes, ou de reparar em uma menina com uma altura de 164 cm e outro grupo distinto, formado por pessoas mais feias e que me fizeram me perguntar "sera que ninguém contou pra eles que os anos oitenta acabaram quase 20 anos atras?", chegou o momento da banda. Que eu nao conhecia. E nao gostei muito. Na verdade eu nao entendo essa cena rock/eletronica europeia. Quando eles tocavam so com a bateria, baixo, guitarra e voz eram muito bons. Mas tinham longuissimos intervalos entre as musicas com aquela formacao, quando eles tocavam musicas puramente eletronicas, daquelas de rave. E as pessoas feias com roupas anos 80 e os modelos bonitos dançavam como pessoas de rave. E eu, obvio, fiquei com raiva. Mas de toda forma, levei o show e a experiencia na boa, afinal o lugar era inusitado e os musicos eram gatinhos.

Depois desse resumo nao tao resumido da minha ultima semana seria normal achar que minha vida amorosa esta indo de vento em popa. Pois nao esta. Saindo do forno so um fora, mas esse é matéria de outro post). Eu cheguei a conclusao que eu devo ter sido a maior vadia na vida passada e estou pagando com estiagem amorosa nesta. Bad carma é foda.

Terça-feira, Outubro 30, 2007

O amor e a incompreensão

No começo, tudo é mil maravilhas. Vocês entendem todos os suspiros, todos os olhares e todos os gestos um do outro. É incrível a compreensão que vocês têm, considerando-se que a cada coisa não-dita há dez beijos e uma troca de olhares profunda, sem piscar os olhos. Até que vocês precisam trocar palavras. E não palavras não-ditas, que vocês inconscientemente balbuciavam de forma incompreensível em meio aos suspiros, gestos e olhares. Palavras únicas e fortes. Você diz uma, ele responde com outra e tudo parece estar indo bem. Até que vocês precisam trocar frases. E não frases com palavras soltas, embora marcantes, como aquelas que vocês utilizaram em meio aos gestos, olhares e suspiros. Frases que façam sentido, que possam ser absorvidas pelo ser amado. Você fala algo, ele responde, você fala novamente e ele concorda, ou vice-versa. Até que vocês precisam argumentar um com o outro. Agora não basta dizer uma frase apenas, é preciso dizer muitas e com o devido fundamento ideológico. Você se expressa, ele não entende, você elabora, ele não compreende, você disserta, ele perde a paciência, ou vice-versa. Os suspiros são substituídos pelas bufaradas, os gestos pelos sinais de desacato e os beijos pelas provocações. Até que alguém ache que isso é pura incompatibilidade de gênios. Mas isso também pode ser amor ardente. E verdadeiro. Amor perdido em meio à linguagem, a grande fonte dos desentendimentos.

Quarta-feira, Setembro 12, 2007

A canarinha

No fundo, bem lá no fundinho do seu coração, você diz que gosta de futebol só para parecer mais atraente para o sexo oposto. Ou então porque é louca por jogador de futebol (vai dizer que em 2006 não prestou atenção concentrada, em momento algum, nas pernas - e tudo o mais - do Alberto Gilardino?). Se mesmo assim você nega algum desses fatos, comece a considerar a possibilidade de que você joga no time errado. É inegável que os campeonatos regionais não são lá interessantes, ainda mais aqueles fora do eixo Rio-São Paulo. Os campeonatos nacionais, então, mais enrolados impossível. E tem a Copa do Mundo. Ah, a Copa. É quando você sai com aquela camisa da seleção (baby look, claro), coloca fivelinha verde-amarelo nos cabelos e até pinta as unhas de azul e branco. É nesta época que muitas de nós começamos a namorar. Você e suas amigas chegam naquele barzinho que transmitirá o jogo pelo telão, com direito a muita cerveja e diversos petiscos, arrumam uma mesa ao lado daquela recheada de gatinhos. Uma tática infalível, muito mais eficaz que a fantasia verde-amarelo-azul-e-branco, é saber quando e o quê falar sobre o jogo. Não existe homem que não fique doido por uma mulher que sabe do que se trata um impedimento. Que discuta com propriedade sobre a tática 4x4x2 em formato losango. Que identifique a formação de triângulos defensivos, tão característicos da marcação por zona. Que saiba quando o ataque deve ser feito em leque e a defesa em funil. Pois bem, você analisa o meio-de-campo e se coloca estrategicamente ao lado do zagueiro para evitar a marcação indesejada. Você identifica seu objetivo e vai atacando pelos flancos. Por fim, quando você passa bem atrás daquele fofinho lindo irresistível, o lance imperdível está passando na telinha. Ele está ali à sua frente, apreensivo, sem piscar os olhos. Você dá um sorriso maroto, chega ao lado dele e diz "Se agora já é emocionante, imagine em 1863, quando o sistema tático era 1x1x8... não entendo como eles conseguiam marcar impedimento naquela época!". Pronto. Ele (e você) perderam o gol. Todo mundo à volta pulou, comemorou, e vocês ali, um olhando para o outro. Você com um sorriso maroto. Ele, com a respiração presa e uma expressão de completo espanto. "Estou vendo que torcemos para o mesmo time", você fala para quebrar o gelo e aponta para a canarinha que ele veste, igualzinha à sua. Você dá uma piscada, um sorriso e vai para a sua mesa. Ele continua ali parado. O jogo acaba e o Brasil vence. O garçom se aproxima de você, lhe entrega um bilhetinho: "Será que a minha camisa e a sua podem torcer juntas no próximo jogo?". Você dá risada... é gooooooooooool! Depois que a Copa passar (e outras Copas virão), uma certeza: a sua canarinha vai continuar sendo jogada ao chão, em frente à cama, ao lado da dele.

Quarta-feira, Agosto 22, 2007

O Telefone

Você está lendo aquele texto chato, mas necessário. Necessário para passar os minutos menos apreensiva. Ou mais. Levanta de cinco em cinco minutos como se tivesse algum tique nervoso. Daqueles que contaminam tudo e todos. Verifica toda a fiação existente na casa, não importa se ela está conectada ao que lhe interessa. Lê mais alguns parágrafos e as palavras insistentemente se recombinam em sua mente. Tudo o que você lê parece possuir um "tê", três "ês", um "éle", um "éfe", um "ó" e um "ene". Você até escuta "trim-trim" vindo das páginas à sua frente. A cada conjunto de palavras, você percebe repetições que revelam números insidiosos. Números que apontam um destino inevitável: o teclado do telefone. Você resiste. Afinal, você não o vê somente há algumas horas. Se você ligar agora, ele vai acabar pensando que você é uma espécie de maníaca. Você se concentra e tenta se controlar. Trinta dolorosos minutos se passam. Agora as palavras parecem estar carregadas de ironia. Todas têm "érres": a primeira letra do nome dele. Imagine, então, se a "Leidi Murphy" estivesse sentada ao seu lado. O telefone toca. Você dá um grito. Susto, claro. Você não esperava por isso. Sorri e atende, com a voz mais meiga do mundo. Totalmente cheia de amor para dar. Do outro lado da linha, o Caco, seu vizinho de sete anos, perguntando se seu irmão mais novo pode sair para brincar de rolimã na rua...

Quinta-feira, Agosto 09, 2007

Daqui a pouco OU In a little while

Sim, você está no Cebola Roxa. Não, você não veio parar em um clone barato. Este se trata do verdadeiro, do legítimo blog das almas atormentadas por problemas de relacionamento, TPM e afins. Calma, não vamos encerrar o blog! Ao menos não por enquanto. Durante algum tempo, ainda, vocês lerão com prazer, ou desprazer, as nossas palavras cósmicas e despretensiosas. Nossas palavras de alento e desespero. Nossas palavras de emoção e esperança. Acima de tudo, nossas palavras carregadas de dor-de-cotovelo, TPM e afins... Daremos um breve intervalo para atualizarmos nosso lay-out (nada de grandes modificações), e já já retornaremos. Aguardem.

Quarta-feira, Agosto 01, 2007

"LESS BRAWN AND MORE BRAINS... IS IT POSSIBLE?" ou "PROCURA-SE RHETT BUTLER DESESPERADAMENTE"

Estou cansada de homens domináveis, sem personalidade, sem opinião, superficiais, sem questionamentos filosóficos, sem sonhos ou ideais. Quero conteúdo, quero gentileza, quero amor à moda antiga, galanteios, romance, quero um cavalheiro, um companheiro, um amante, um alguém interessante, diferente, inebriante, quero uma pessoa com quem possa dividir meu tudo e meu nada. Mais importante ainda, que ele não seja perfeito. Nem queira ser. Perfeição, além de totalmente inexistente, platônico, é irritante, e torna-se rapidamente detestável. Nada mais abjeto que um ser que se julga, ou que seja, de algum modo, próximo à perfeição. Ninguém é perfeito. E é aí que está a beleza. Ame a imperfeição, porque é dela que se sente falta, porque, no fundo, é ela que nos faz apaixonar, que nos fascina sem que tenhamos consciência disso. É a imperfeição o segredo pelo qual desejamos desvendar alguém, e no qual tentamos enquadrar a perfeição. O que é imperfeito é intrinsecamente sedutor. Intensamente adorável. Perfeitamente apaixonante.

Sexta-feira, Julho 13, 2007

Aniquilação sentimental

Esqueça que eu existo. Vá embora. Nunca mais se aproxime. Tudo o que você era não passa de ilusão severa, que esmigalhou o ingênuo coração. A dor transformou-se em raiva. A raiva transformou-se em ódio. E o ódio, meu ordinário ninguém, virou a casaca e resolveu amigar-se com a indiferença. Provou, e resolveu que é mais doce optar pelo não-amor. Pelo não-sentimento. Você agora não passa de um não-qualquer. Você agora só receberá meus 'nãos', com uma única exceção: o foda-se.